ADONAI – Novela Iniciática do Colégio dos Magos

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ADONAI – Novela iniciática do Colégio dos Magos

Publicado 13/03/2012 por eduardfis

 

 

ADONAI – NOVELA INICIÁTICA DO COLÉGIO DOS MAGOS

 

O aspirante a ser Mago não pode dar um único passo no caminho da Magia, se não tiver seu coração como guia. Dia e noite, deves ouvir essa vóz silenciosa e executar as suas ordens. Nas provas de dor, às vezes até o medo e o instinto de conservação bastam para salvar um homem. Mas nas provas de prazer, a própria paixão conduz o homem ao seu completo aniquilamento, com alegria e gozo, à semelhança do gato que lambia uma lima de ferro e bebia satisfeito seu próprio sangue.

Quanto mais alto se sobe, mais formidável é a queda. A energia vital que está em ti começa, atualmente, a impelir-te para o amor que influencia teu corpo, aformoseando teu rosto e enobrecendo teu caráter. Deves seguir o caminho do amor espiritual, que nada tem de impuro em seu fervor ideal e evitar a degradação do amor, impedindo que a energia criadora desça ao ponto mais baixo da sua escala.

A força vital criadora é o caminho da iniciação interna de um aspirante. Em sua jornada, partindo de sua origem espiritual, se tranforma logo numa idéia; em seguida, num sentimento emocional e, finalmente, numa sensação física nos órgãos genitais. Se queres ser um filósofo, mantenha-a em sua primeira fase, a fase espiritual; se quiseres ser artista, na segunda; porém, se quiseres chegar a ser (um) deus, deves manejá-la na sua terceira fase.

Toda energia é Una e Una é sua fonte, e se empregares uma grande quantidade de tua força vital numa única direção, dirigindo-a para um único objetivo pouco te restará para as outras atividades mais nobres. Assim, se empregares a maior parte para tua satisfação pessoal, prejudicarás o Eu Superior Impessoal, restringindo seus meios de manifestação.

A força criadora pertence ao Cosmo e não ao indivíduo; à raça e não à pessoa: portanto, deve ser devolvida ao Cosmo e à raça. Não deves materializar teus pensamentos divinos se quiseres evitar a queda; deves, ao contrário, espiritualizar toda sensação, para poderes entrar novamente no Éden. Não deves vender toda a tua vida por um minuto de prazer, nem tua primogenitura por um prato de lentilhas.

Pelos manuscritos que estão em teu poder já sabes quais são as provas que o aspirante deve sofrer. Já passaste por três e agorá virá a quarta, que é mais difiícil. Deves, contudo, entregar-te ao fogo, mas não te exponhas a ele. Para rasgar o véu é necessário que a tua alma seja excitada pelo fogo, esse fogo que deve queimar tudo o que for impuro e indesejável para chegares a ver Deus face a face.

A castidade é a porta da iniciação, pela qual o homem pode passar a seu mundo interno, onde permanece em comunhão constante com as inteligências que possuem a memória da Natureza. Quando a energia criadora, por meio da castidade, invade a medula espinal, sintoniza todos os centros do homem para abrir caminho para o reino da Realidade.

O Cristo em ti tem que ir ao Pai, para abrir-te o caminho. Para encurtar o tempo de duração de tuas provas, temos que colocar-te à beira de um precipício… Temos que nos valermos de alguém para ascender em ti o fogo do altar; esse fogo produz luz e fumaça, mas és tu que deves escolher entre uma ou outra. Esse fogo, uma vez aceso em sangue gasoso, te porá em contato com a alma do mundo "e é neste estado que deves receber a iniciação". Tudo depende de tua imaginação e de tua força de vontade. Atualmente és o Filho do Homem; porém, pelo fogo, serás o Filho de Deus e um sacerdote da Ordem de Melquisedek.

Tu necessitas da mulher para divinizar-te, mas "cuidado com a mulher!" Busca a mulher para que acenda em ti o fogo sagrado, porém procura a mulher que tem o poder de apagá-lo. Ama-a sem desejo e adora-a sem profanação, e então serás digno da Grande Iniciação. A mulher te conduz para o Cristo (Hamsa) que está em ti, porém pode também conduzir-te ao demônio, que também está em ti. O fogo aceso pela mulher consumirá todo obstáculo que se encontre entre ti e teu Salvador, mas a fumaça pode cegar-te… Esse fogo deve subir a teu cérebro, mas nunca deve sair pelos teus órgão sexuais.

Meu filho, tens que acender em ti a sarsa de Herob para que possa falar com Deus… À luz desse fogo podes aprender os mistérios da Natureza, que não se acham nos livros. E todos esses mistérios se encontram na própria mulher. Ama-a e protege-a de ti mesmo.

No ventre da mulher se acha oculta a máxima sabedoria; porém, essa sabedoria se encontra no fundo de um abismo escuro e perigoso. Tens que descer com luz, ao contrário a fumaça te fará perder a razão e podes despedaçar-te no fundo do precipício. Serás sempre bendito se vires sempre Deus no ventre da mulher.

Os anjos te trarão do céu o pólen da árvore da vida, cuja semente não é, nem deve ser masculina ou feminina, mas sim possuir as duas naturezas. Para voltares à divindade, "deves ter uma mulher em ti e não uma mulher para ti".

Referência Bibliográfica:

ADOUM, Jorge E. ADONAI – Novela iniciática do Colégio dos Magos. 15a ed., 1998, Editora Pensamento – São Paulo/SP, págs. 164-167.

 

 
 

ADONAI – Novela Iniciática do Colégio dos Magos Pt. 1/3

Publicado 17/07/2008 por eduardfis

 

CAPÍTULO XXV

DE ONDE VIEMOS? ONDE ESTAMOS?

PARA ONDE VAMOS?

 

 

O SABER. – Adônis via claramente, apesar de ter os olhos fechados. Via a si mesmo, dentro de si mesmo. Clara e conscientemente recordava ou via como quem sonha e tem consciência que está sonhando. Via a si mesmo, porém não era o mesmo. É impossível descrever aquele estado com palavras. A única comparação que se pode apresentar é o reflexo de uma pessoa ou das coisas em um grande espelho. Tudo estava presente diante dele, embora as coisas percebidas estivessem longe. Via todo o conjunto nele ou era ele todo o conjunto? Não eram as coisas em si que ele via, mas sim a causa das coisas. Adivinhava ou percebia por intuição. Ele sentia:

Que era a "Luz" na "Luz" e a "Luz" no "sexo" e o "sexo" era O Todo que contém tudo.

Que todas as religiões têm a mesma origem e a origem de tudo o que existe está na Luz e no fogo, e a Luz e o fogo estão no sexo.

Que Deus, o criador, manifesta, pelos órgãos criadores, o fogo sagrado e a luz, que criaram o Cosmo e todas as coisas visíveis e invisíveis.

Que está luz é a imortalidade da alma.

Que este mistério é a chave da Iniciação Interna, é a porta do céu.

Que a Luz é a panacéia da saúde, da felicidade e da santidade.

Que o homem e a mulher formam a divindade una, binária e triuna.

Que para ver Deus e falar com Ele, devem ser unidos por Ele e Nele.

Que quando se unem, Ele e Ela, pelo pensamento e pela sensação, forma-se a criação.

Que o verdadeiro Deus reside na luz do Fogo Sagrado e que a adoração a Deus deve ser neste Fogo.

Que todas as religiões, não podendo conservar a Luz do Fogo, procuraram simbolizá-lo por meio de milhares de símbolos e invenções mentais.

Que a verdadeira religião não está naquilo que o homem pode ver ou ouvir, mas sim naquilo que pode sentir sem os sentidos. E aquele que quiser chegar a Deus deve buscar o caminho da sensação e não o caminho da oração.

Que o único ser que pode dar ao homem a sensação é a mulher.

Que o homem, ao adorar a Deus, intuitivamente adora também a mulher, e esta o homem. O homem adora a mulher para produzir a sensação e a mulher adora ao homem para gerar o pensamento.

Que o sexo é a força sensitiva que gera o mundo, o homem e a ação, para depois, pelo pensamento, regenerar o mundo e o homem, imortalizando sua alma.

Que o Universo se sustém e se mantém pelo Fogo-Luz do sexo, como também pode ser destruído por ele.

Que o sexo condena e salva, regenerá e destrói, segundo o uso, seja para a salvação ou destruição.

Que o salvador do homem ou do mundo é o sexo, assim como também a perdição ou o demônio de ambos, mas o homem tem a liberdade de escolher entre a salvação ou condenação.

Que todas as religiões, ao adorarem a Deus, sem o saberem, o estão adorando sob uma forma sexual e, como já foi dito, o sexo é o produtor do Fogo e da Luz, nas cerimônias, ritos e símbolos. E o propósito de todas elas é manter sempre aceso o fogo até obter a luz; os símbolos externos, com suas cermônias, tem por objeto auxiliar a sensação e o pensamento, ambos debilitados pelos sentidos externos.

Que o instinto sexual é o impulso da Divindade Criadora, o pensamento apenas modula a criação em harmonia ou desarmonia, em bem ou mal, em anjo ou demônio.

Que a maior desgraça do homem e do mundo está na degenração do impulso criador e divino pelo pensamento. Por este, motivo, o homem que se fez Deus no Éden morreu.

Que assim como o sexo é a origem de todas as religiões, é também a base de todo esforço, afeto, amor, fé, caridade, compaixão, santidade, arte, poesia, e de todas as coisas sublimes que a mente humana pode criar.

Que todo o reino, poder e domínio nascem do impulso criador e, por sua ausência, se extinguem.

Que o céu é a Luz do sexo, o inferno é sua fumaça e a vida é seu fogo.

Que o amor é uma manifestação do sexo e Deus é amor.

Que sem sexo não há amor e sem amor Deus não existe nem pode existir.

Que o sexo, em sua fonte de manifestação, é puro como a luz; porém, como gratificação baixa, é ignóbil, e a nobreza reside no pensamento.

Que o sexo é a fonte de tudo o que é criado pelo amor. Porém, o amor não pode existir na impotência, nem a imortalidade na degeneração. Porque na degeneração não há aspiração, sem esta não há geração e sem geração não há regeneração. Com a pureza do sexo, o homem pode conceber o amor que conduz a Deus, ao passo que, com sua impureza, fabrica um deus que tem os mesmos desejos do homem. Os deuses vigativos, os deuses que castigam pelo pecado e pelo mal, são deuses impotentes, obra dos homens, que chegaram a impotência sexual, e quem chega à impotência não pode ver a realidade única.

Que Cristo, Hamsa, Buda, Hermes, Zoroastro, nada mais são que indivíduos nos quais se manifestou a Luz Divina e esta Luz, em cada um deles, os transformou em salvadores do mundo.

Que estes Cristos virão pela segunda vez – segunda vinda em cada um de nós, isto é, que, depois da descida ao sexo ou inferno da geração física, elevam o princípio da geração à regeneração. Então se realiza o mistério da transfiguração do Cristo em Homem.

Que a adoração do sol é a adoração a Deus-Homem, como pai que funda seu fogo criador na natureza da mulher. E a adoração da luz é a da mulher que, como a lua, influi sobre o crescimento e geração dos seres vivos.

Que os sete anjos do Senhor são sete entidades celestes emanadas do Fogo Interno e residem diante do trono do Inefável, no corpo humano.

Que os doze signos são as doze faculdades da Luz que se encontram no homem, Salvador do Mundo.

Que cada Salvador é a personificação da Luz do Pai e todo homem, para salvar-se e ser Salvador, deve chegar a estatura de Cristo, isto é, chegar à fonte da Luz. Todos os elementos do mal se desencadearam contra os deuses, filhos do homem-Deus: fogo, ar, terra e água (o Dilúvio) se encontram no corpo, que se salvou graças à Arca de Noé (útero da mulher). A primeira coisa que Nóe fez, ao sair da arca, foi ascender o Fogo sobre o altar para dar graças a Deus (ascender o fogo sagrado no altar da mulher, para cumprir a missão de Deus).

Que o mistério da iniciação, com todos os seus símbolos, é o mistério do fogo e da luz, que faz o homem iluminado ou identificado com o Sol, isto é, que recebeu a luz e se converteu em Padre, como se intitulam os sacerdotes, ou Padres Sagrados. Pelo Fogo Sagrado todos os homens são filhos de Deus e, portanto, irmãos.

Que o batismo da água é a imersão do homem na mulher, pela geração, e o batismo do Fogo é a retenção do fogo em si para fazê-lo ascender e produzir a regeneração; a imortalidade consciente é a Iluminação do Espírito Santo. O Pão é o símbolo do Sol ou Fogo-Luz do homem e o vinho no cálix é a mulher-mãe. O primeiro desce da espinha dorsal e o segundo se acha na matriz sagrada. E quando o iniciado toma o vinho e o pão com seus discípulos internos, o Fogo do Espírito Santo invade todo o corpo e o filho sobe ao Pai, origem da Luz.

Que a invocação e a oração dirigidas a Deus ou ao anjo é a vibração de um pensamento que produz certo despertar, avivando a Luz interna. Cada dia da semana, pela Lei harmônica, produz um avivamento do Fogo em um centro particular dos sete que se encontram no corpo. (A filosofia Ioga os chama "chacras": segunda-feira aviva o "chacra" frontal; terça-feira, o esplêndido; quarta-feira, o faríngeo; quinta-feira, o umbilical (plexo solar); sexta-feira, o cardíaco; sábado, o fundamental (plexo sagrado), e, finalmente, domingo, o coronário.)

Que o nome de Jesus significa o Sol e o nascer na gruta significa a matriz da mulher.

Que o caos onde nasceu Osíris é a mesma matriz feminina ou caverna do útero; portanto a mesma história de Jesus se aplica a Osíris.

Que Ísis e Maria, ambas a personificação da mulher ideal, perfeita, podem dizer, cada uma de per si: "Eu sou a Deusa cujo véu nenhum mortal ousou levantar, porque sob o meu véu se acham ocultos os mistérios".

Que José e Maria, Ísis e Osíris, Adão e Eva são os símbolos da divindade e pais de todos os deuses, porque os dois produzem o Filho, símbolo da Luz.

Que Vênus, Ceres, Vesta, Ísis, Maria, etc… todas simbolizam a mulher, a lua e a água, que recebe a Luz do Pai para gerar o Filho, e os três formam a Trindade em todas as religiões.

Que o fogo usado em todas as religiões antigas e modernas é o símbolo do Sol e este é o símbolo do Fogo Criador no homem.

Que a cruz é o símbolo da união do homem e mulher, que é um ato de salvação.

Que o culto da Virgem Maria é a adoração ao aspecto feminino de Deus, que está sintetizado na mulher. O parto é a criação, o mistério incompreensível, que era atribuído diretamente ao Homem-Deus; e Maria, mãe de Jesus, é a figura de Vênus, Urânia, Maia, Prosérpina, Ceres, Íris, etc.

Que o lírio nas mãos de José e, às vezes, nas de Maria, é o símbolo do filho que brota do seios da mãe, como brota a flor da terra e o lótus da água.

Que a vara a Aarão, ou de José é o símbolo do Poder Criador.

Que Ísis, Vênus, Maria, etc. têm o título de "rainha do Céu", como a lua que regenera.

Que a virgem deve, finalmente, pisar a Lua (elevar e dignificar o Poder Criador), para ser coroada com doze estrelas (as doze faculdades do Espírito).

Que os obeliscos e capitéis dos templos são emblemas do falo.

Que o Salvador, em cada religião, é Quem simboliza o Fogo Criador, que cria o corpo para ser habitado por uma alma e logo regenerá-la, porque tal alma tem a oportunidade de salvar-se a si mesma.

Que o Salvador (o espírito) vem ao seio da mulher por intermédio do homem, que é o representante de Deus, por intermédio do seu órgão criador e, por isso, a humanidade antiga era mais pura, porque no ato da procriação via unicamente Deus.

Que o falo é o signo da aliança entre Deus e o homem, por meio do rito da circuncisão.

Que quando o homem lançã, vã e estupidamente, sua semente, nunca pode conhecer o Reino dos Céus, porque perde a substância sagrada para a produção do Fogo Criador, que conduz a Deus por regeneração.

Que sendo o homem o templo do deus vivo, dentro deste templo deve habitar o Fogo Inefável.

Que o nome de todos os salvadores são derivados e associados com o Fogo-Luz, criador, aquela Luz mística e espiritual invisível: Júpiter, Apolo, Hermes, Mitra, Baco, Adin, Buda, Krishna, Zoroastro, Fo-hi, Iáo, Vixnú, Xiva, Agni, Balder, Hiram, Abiff, Moisés, Sansão, Jasão, Vulcano, Urano, Alá, Osíris, Ra, Bel, Baal, Neho, Serópus, Salomão, Jesus, todos eles tem um nome que indica relação com a luz e o Fogo Criador. Prometeu, por amor à humanidade, procurou atraiar ao homem o fogo divino que o fez imortal, pois nem os deuses puderam destrui-lo. Porém, os homens egoístas tomaram o fogo divino e o empregaram para a destruição mútua e desafiaram os deuses, que não podiam destruí-los porque possuíam o fogo sagrado. Prometeu (Lúcifer), por castigo, foi encadeado a uma montanha, onde um abutre vinha devorar seu fígado (a natureza passional e emocional, que consomem o homem), até que um ser humano lograsse dominar o fogo (passional) e se fizesse perfeito. Esta profecia realizaram-na Jesus, Hérmes, Mitra, Krishna e todos os inciados que salvam, pela regeneração, Prometeu, veículo do sexo, onde reside a energia solar.

Que todos os fogos dos altares são símbolos do Fogo Ígneo do sexo, e assim como a chama consome o incenso, assim também o fogo sagrado, pela regeneração, consome a natureza inferior, espiritualizando-a, como a fumação perfumada que se eleva, como as nuvens ao céu, até o trono do Senhor.

Que o homem é o criador ou o gerador e a mulher é o elemento amor ou regenerador, e por seu intermédio, pode o fogo subir ao altar para alcançar a Luz.

Que sem o contato da mulher não há manifestação divina. E que todas as religiões são a imitação e símbolo do homem com a mulher a fim de poderem encontrar novamente Deus.

Que o objetivo de todas as escolas herméticas, antigas e modernas, e sobretudo a Iniciação no Colégio dos Magos, era e é regenerar o homem por meio da Energia Criadora Sexual.

Este é o resumo, que se pode relatar, do que sentiu e compreendeu Adônis, na primeira fase da iniciação: "O Poder do Saber".

(Continua…)

   

 

Referência Bibliográfica:

ADOUM, Jorge E. ADONAI – Novela iniciática do Colégio dos Magos. 15a ed., 1998, Editora Pensamento – São Paulo/SP, pág. 239.

ADONAI – Novela Iniciática do Colégio dos Magos Pt. 2/3

Publicado 17/06/2008 por eduardfis

 

CAPÍTULO XXV

DE ONDE VIEMOS? ONDE ESTAMOS?

PARA ONDE VAMOS?

(Continuação)

 

alquimia 

 

"O PODER DE OUSAR. – A segunda fase da iniciação corresponde ao ousar no terror. Adônis sentiu que se encontrava num estado de angústia indefinível. Encontrava-se frente a frente com sua consciência, enfrentado todos os seus atos do passado, que, com o correr do tempo, formaram um mundo separado dos demais, onde habitam seres de horripilante semelhança entre si. Porém, todos vivem e se alimentam em seu próprio ventre, devorando-o, como os filhos da aranha devoram sua própria mãe. O que sentiu não era medo, nem terror, porém angústia e dor intensas. Tudo era trevas; não obstante percebia até os menores movimentos e detalhes daqueles seres. Naquele mundo tudo era destruição e remoroso. Intuitivamente sentiu que todos aqueles seres formavam parte de seu ser e que o acompanhavam havia séculos e séculos.

Enquanto meditava, naquele estado desolador, subitamente apareceu-lhe um fantasma – empregamos esta denominação na falta de outra melhor – cuja cabeça era bem parecida com a do jovem iniciado. Aquela sombra estava coberta de formas capazes de fazer gelar o sangue do mais valente dos homens. Aquelas formas vivas emanvam cores e odores que horrorizavam: umas pareciam ganchos, outras serpentes, lanças, outras assumiam formas desconhecidas no nosso mundo terrestre. Aquele fantasma se arrastava como um réptil e ria de maneira infernal. Quem seria capaz de desenhar a figura daquele monstro? Que pincel poderia reproduzir o aspecto horrível daquele olhar? Porém, o terror de Adônis chegou ao auge, quando ouviu dizer-lhe, aquela figura dantesca:

- Abraça-nos, Pai nosso, somos vossos filhos… Por que viestes a nós, se não quereis prodigalizar-nos o vosso amor e carinho? Por que temeis vossos queridos filhos? Vós sacrificastes todos os prazeres para fazer-nos uma visita. Vinde, Pai, vinde, nosso amor por vós é grande. Não nos crede, pai? Pois recordai conosco, consultai vossa boa memória: somos entidades vivas, nascidas de vós, e em vós vivemos. Somos filhos de vossa mente e de vossa vontade. Somos as sementes oriundas da vossa energia criadora. Olhai esta é vossa filha, a fornicação; este é o egoísmo, aquele é a ira; os outros são o ódio, o roubo, a gula, a mentira, a hipocresia, a paixão… Ultimamente, pai, nos abandonaste para rasgar o véu das trevas e agora viestes ao nosso reino… Pedi-nos o que for do vosso agrado, pois somos os arquivos da vossa memória milenária e todos os mistérios das idades estão descritos em nós… Beijai-nos, querido pai!

E aquele monstro, ao mesmo tempo infernal e humano, arrastava-se para Adônis ou pelo menos assim o acreditava ele.

Há certos minutos de tempo que são mais longo do que a eternidade. Adônis se sentia desfalecer, mais de arrependimento do que de medo. Diante dele, desfilaram todas as suas vítimas de todos os tempos. Lia efetivamente naqueles seres demoníacos o seu passado e sentia que eram seus filhos e sua obra.

- Então, é este o inferno – dizia a si mesmo. – Estes são os demônios atraídos, por meus pensamentos, para esta região… Que horror!

- Tirai-nos daqui e voltai conosco ao mundo exterior, à procura do gozo e do prazer. Já temos sede e fome… – disse o fantasma.

- Jamais! É suficiente o que já fiz! – acreditou dizer Adônis. – Mas antes de terminar a frase, ouviu ele gritos desesperados que clamavam:

- Salva-nos destes tormentos!

Olhou e viu muitas almas desesperadas que haviam ali, condenadas por ele… E sentiu, então, que ele havia criado este inferno e nele havia colocado aqueles seres, por seus pensamentos e desejos.

Num primeiro impulso, quis correr para salvá-los… Porém vendo a desigualdade da luta, começou a estudar um meio de anular todos aqueles males. Enquanto pensava, via aproximar-se dele, cada vez mais, aquela aparição horrível que lhe suplicava um beijo e convidava a voltar à vida material e mundana.

- Para trás! – julgou ele gritar. – Tú és minha obra e, assim como te criei, posso também destruir-te.

Ouviu, então, a voz interna que estava acostumado a ouvir. Elevou seu pensamento aquela voz silenciosa e invocou. Percebeu que de seu coração se abriu uma porta pela qual saíram seres de luz…. e, ajudado por eles, emprendeu sua obra salvadora.

Não se pode dizer quanto tempo esteve dedicado a esses trabalhos…. O arrependimento e o amor foram seus guias, e começou a ver, pouco a pouco, a destruição daqueles seres demoníacos, quando dirigia para eles aquele manacial de luz que brotava do seu coração. Enquanto isso, lançava um olhar retrospectivo ao seu passado, desde o momento atual até a mais remota antiguidade do mundo. Tudo isto estava escrito no seu sistema nervoso do Grande Simpático e desfilava diante dele, como uma projeção cinematográfica.

Naquele inferno verificou a Lei que toda dor causada aos outros redunda em sofrimento para quem a causou, porque ali teve de identificar-se com seus habitantes, sofrendo as conseqüências dos seus atos. Foi horrível o tormento… Porém, a invocação e a consciência divina alivia toda dor.

Nesse mundo aprende o Iniciado como anular o trabalho dos magos negros, que utilizam os anjos das trevas para influenciar e dominar o mundo com as armas do mal. Muitos oferecimentos tem o aspirante nesta região: de poder, de fortuna, etc., se consentir em aliar-se ao demônio interno, porém a vóz interna nunca o abandona.

Uma vez triunfante sobres essas tentações, o invadem sentimentos de justiça e sacrifício. Nessas esferas sente a dor causada por ele e busca o remédio para aliviá-la. Tem que salvar do tormentoso sofrimento as almas que, por sua causa, sofrem, nesse lugar, o indizível…

Adônis via suas vidas passadas, que desfilavam como caravanas diante do seu olhar interno, com todos os horrores sofridos. Viu suas relações anteriores com, Aristóteles, com Astaruth, com Eva, com seus pais, irmãos, amigos e inimigos… Em distintos lugares e ocasiões havia se encontrado com eles e com outros mais: na Espanha, na França, na Grécia, no Egito, na Caldéia, na Índia, etc… A falta de espaço não nos permite relatar essas relações, que por si só constituiriam assunto para vários livros… Só podemos dizer que, em diversas vidas anteriores, Adônis e Aristóteles foram muito conhecidos no mundo do saber e da espiritualidade. Na Espanha, Aristóteles foi governante do país e Adônis foi um médico filósofo, cujo saber representou um importante papel na igreja romana… Na França, como pai e filho, foram muito conhecidos no século VI. Na Grécia, Mestre e discípulo, no fim do sécúlo IV antes de Cristo. E assim sucessivamente nos demais lugares e países, sempre houve uma relação íntima entre os dois.

Adônis via tudo isso no seu sistema simpático que, como uma imensa galeria, reunia todos os fatos desde o Gênese até o momento atual. Tudo estava diante dele, porém não era possível trazer tudo à mente, nem guardar tudo na memória. Naquele estado assemelhava-se a um namorado que sente em seu peito o fogo consumidor da paixão amorosa, porém não pode expressá-lo com palavras, porque não as encontra adequadas.

E enquanto meditava na maneira de conservar na memória tudo o que se apresentava diante dele, produziu-se um fenômeno inesperado. Sentiu na raiz da sua espinha dorsal um movimento estranho. Depois julgou ver uma espécie de vapor que invadiou naquela região e logo se transformava em fogo. Porém um fogo sem fumaça, como o produzido por uma centelha elétrica; e, finalmente, este fogo transformou-se numa luz mais brilhante que a do Sol.

Intuitivamente compreendeu que aquele fogo-luz era emanado do seu sêmem e que ia produzir um fenômeno desconhecido para ele. Sentiu uma profunda veneração por aquela luz-fogo e, com todo o amor de sua alma e do seu Espírito, a adorou… E compreendeu muitas coisas. Aquela luz foi subindo, perfurando sua espinha dorsal; porém, ao contrário do que sucedeu nas vezes anteriores, não sentiu dor alguma e sim uma sensação agradável.

Era aquela luz que dava vida aos anjos que pulavam nela ou eram anjos que acendiam e formavam aquela luz? Ninguém poderá resolver este problema, uma vez que ambos possuem uma só natureza. Aquela luz invadiu, por fim, todo o seu sangue e o novo iniciado acreditou ver, em redor de si, uma espécie de couraça luminosa que impedia toda relação com o mundo exterior. E quando desapareceram diante dele, como por encanto, todos os demônios e fantasmas do inferno, o jovem sentiu-se só consigo mesmo. Diante daquela maravilha, sentiu-se forte e valoroso, com uma penetração única para compreender as coisas e com um atrevimento que nunca havia experimentado antes. Avivou-se sua imaginação de tal maneira que podia atravessar o passado e o futuro à vontade. Sentiu que era a fonte de uma saúde inesgotável e que era capaz de dar de beber a todo o mundo desta fonte, e ardia de desejo de o fazer.

 

*  *  *

 

A luz continuava subindo, por etapas, na medula.

Quando chegou a região do baço, Adônis começou a sentir e compreender o significado do equilíbrio de todo o sistema nervoso. Conselho, justiça e caridade foram as qualidades que se apoderaram dele. Ao mesmo tempo que se sentia uma fonte inesgotável de saúde, julgava-se também depositário dos pensamentos puros, tendo o dever de derramarar esses tesouros sobre todo ser. Não tinha mais necessidade de dominar as paixões, porque estas não existiam mais nele. Compreendeu que, neste estado, corpo, alma e Espírito se achavam em harmonia, sendo, portanto, fácil comunicar-se com seres que habitavam regiões superiores.

 

*  *  *

 

A luz subiu mais um grau, mais uma porta se abriu e brilhou um sol, iluminando o fígado e os intestinos. O talento brota na mente adquirindo a prudência e a cordura. Este fenômeno se produziu como o despertar gradual para a compreensão, e logo começou a ver as formas pensamento que foram as criadoras dos anjos e dos demônios.

 

*  *  *

 

Sempre subindo, a luz chegou no coração, que começou a brilhar como um sol. Aqui a vitalidade e a atividade mental aumentaram. E todo o sistema glandular iniciou um trabalho excessivo. Neste estado, Adônis percebia, com sua mente, as coisas e identificava-as por suas qualidades. Diante da grandeza desse fenômeno, sentiu-se modesto e humilde. Agora podia concentrar sua vontade num só objeto. Sentiu a estabilidade, a perseverança, a paciência, a verdadeira fé e o equilíbrio entre a dor e o prazer.

 

*  *  *

 

Ao chegar a luz à garganta, abriu-se uma porta mais. Tudo o que se pode dizer deste estado é repetir o axioma: – "Quem sabe não pode falar e quem fala não sabe." Somente algumas palavras podemos dedicar às sensações externas e às suas qualidades. Estimulou-se o seu sistema simpático, onde se acham as causas e os efeitos das coisas. Aqui reside o verdadeiro entendimento, a esperança e a generosidade. Aqui se despertam a lógica, a resolução, a veracidade, o agir corretamente; a harmonia no viver; a super-ação; o aproveitamento da experiência e, sobretudo, o poder de estudar a natureza interna, ouvindo sempre a voz do silêncio, que guia o homem em todos os seus trabalhos e atos, sem equivocar-se jamais.

 

*  *  * 

 

Quando a luz antigiu a metade da cabeça, abriu-se um olho, cujas pálpebras estavam cerradas e começou a ver o que nenhum olho humano havia jamais visto, e a ouvir o que niguém nunca tinha ouvido. Sentiu-se dono de tudo e o Senhor dos espíritos e dos corpos.

 

*  *  *

 

Enquanto Adônis se achava contemplando e discorrendo, neste estado, experimentou algo parecido com um desfalecimento, sentindo-se logo identificado com a luz, e ambos, ele e a luz, se escaparam pelo vértice da cabeça. Era a luz, era o mundo, era a vida e o saber… Adônis sentiu que podia sair à vontade por aquela porta e voltar a seu corpo, sem interrupção.

 

*  *  *

 

Voltou agora a perceber o ambiente que o rodeava.

Abriu os olhos e viu o Hierofante, as sete mulheres e os doze homens ajoelhados ao redor dele, com profunda veneração.

Consciente do que fazia, levantou sua mão direita e traçou, sobre o grupo prostrado à sua frente, o mesmo signo que antes fizera Aristóteles. E viu que de seus dedos emanava luz…

 

(Continua…)

 

  

 

Referência Bibliográfica:

ADOUM, Jorge E. ADONAI – Novela iniciática do Colégio dos Magos. 15a ed., 1998, Editora Pensamento – São Paulo/SP, pág. 245.

ADONAI – Novela Iniciática do Colégio dos Magos Pt. 3/3

Publicado 13/05/2008 por eduardfis

 

CAPÍTULO XXV

DE ONDE VIEMOS? ONDE ESTAMOS?

PARA ONDE VAMOS?

(Continuação)

  

 

AGIR E CALAR – Uma vez todos sentados em seus lugares, Aristóteles disse:

- Adonai, tua iniciação foi completa e perfeita. Nosso dever foi ensinar-te o saber e ousar. Teu dever pessoal consiste em agir e calar. Não podemos aumentar uma só palavra ao que tu já sabes; não podemos tão pouco ensinar-te a agir a calar… O mundo está diante de ti e é aí que tens de agir. Já és um Criador e um Construtor e o que deves criar tem que viver sempre… És Deus Pai, Pensador que cria. És Deus Filho, que recebe. És Deus Espírito Santo, que manifesta. Teu corpo já é um canal da Divindade. Procura não obstruir novamente este canal, para não impedires a manifestação do Pai em suas criaturas…

Ao terminar estas palavras, Aristóteles beijou-o na fronte e abraçou-o com ternura. Em seguida, aproximaram-se, primeiro os homens, depois as mulheres, e beijaram-no na face. Quando chegou a vez da maometana que havia representado o papel de tentadora, esta lhe disse:

- Agora já podes beijar-me sem receio.

Riram todos e Adonis respondeu:

- Com muito gosto, irmã, porém em outra ocasião tem mais compaixão da tua vítima.

Riram novamente e Adonai interrogou:

- E que é feito deste suposto marido?

- Não é suposto, querido irmão. Tudo o que eu te disse é verdade… Só a tentação é fictícia.

Recordando-se do juramento do esposo a maometana, Adonai replicou:

- Neste caso, teu problema está resolvido. Dize a teu marido que abra uma abertura no telhado e entre por ela na casa. Desta maneira não quebrará o juramento que fez de repudiar-te três vezes pelas quatro leis, no momento em que entrar novamenmte pela porta. E voltará a ti como marido.

Todos os presentes se admiraram do engenho e argúcia de espírito de Adonai, e a mulher, tomando-lhe a mão, disse:

Obrigada, querido irmão e mestre.

Vieram depois as apresentações dos diversos membros da irmandade, com seus verdadeiros nomes e apelidos, bem como os nomes adotados. Eram de diferentes regiões e raças. Afinal, por uma porta secreta, penetraram na casa de um irmão que tinha mandado preparar um ligeiro almoço para todos.

   

 

Referência Bibliográfica:

ADOUM, Jorge E. ADONAI – Novela iniciática do Colégio dos Magos. 15a ed., 1998, Editora Pensamento – São Paulo/SP, pág. 250.

 

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