Sexo Sagrado

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A religião de Osíris

Publicado 11/03/2012 por eduardfis

 

 

A RELIGIÃO DE OSÍRIS

 

Depois de estudar a religião de Mitra, agora nos toca estudar uma outra que nos confirma que todas as religiões têm uma mesma origem e fundamentalmente as mesmas têm por base o mistério do sexo.

Do meio do caos nasceu Osíris; ao nascer, ouviu-se uma voz que dizia: “O governador de toda a Terra nasceu”. Do mesmo seio ou útero nasceram Ísis, Rainha da Luz, e Tífon, Rei das Trevas. Já temos, então, a trindade fundamental.
          
Diz o Livro dos Mortos: conhece o dia em que haverá de deixar de ser (existir). Conhece seu sacrifício. “Tem poder de dar sua vida e de recobrá-la. Seu suplício é voluntário, mas ele mesmo o quis”. (Isaías LIII, 7) 

Deus está no sofrimento. Osíris é o sorriso dos que choram. Osíris está na vítima que se imola, e no grão que morre na espiga que se ceifa, no Nilo que decresce, no quarto minguante da Lua, em todo sofrimento, mas sobretudo no sofrimento humano.
 
Osíris foi homem e Deus ao mesmo tempo; realmente Deus e realmente homem. “humilhou-se sob a aparência de um escravo”.

De quem se fala assim? De Osíris?

Não, Osíris não é nada mais que a sombra do Corpo Invisível. Mas essa semelhança entre o corpo e a sombra é o mais insondável mistério do Egito.

Nos confins do arenoso deserto da Líbia, ao fundo da grande planície semicircular de Abidos, numa estreita garganta rochosa, Peher (atualmente Ulel-Hakab), ali onde o Sol se põe, foram encontrados os túmulos dos mais antigos reis do Egito, e, entre eles, o sarcófago de Osíris. O sábio francês Amelineau, que levou a cabo escavações em Abidos em 1897-1898, viu nas inscrições desses túmulos um testemunho tão incontestável, que acreditou haver encontrado realmente o féretro do Homem-Osíris, personagem histórica, terceiro faraó da dinastia I.

Todo o Egito descansa na crença de que o Homem-Osíris ou Homem-Deus viveu, sofreu e morreu na terra.

A única lápide conservada refere-se a uma inscrição dos mistérios de Osíris celebrados no Santuário de Abidos: as “Paixões de Osíris” se representavam num drama, assim como as paixões de Senhor nos mistérios da Idade Média. No silêncio ressoava um grito súbito, a grande lamentação de Ísis sobre Osíris morto.

Todo o Egito vira as costas a Osíris, que morre e olha para o Deus que ressuscita, não querendo ver o sofrimento nem a morte; mesmo sabendo que o sofrimento e a morte são divinos.
          
Um velho conto egípcio foi recolhido, milhares de anos mais tarde, por Plutarco, grego do século I-II de nossa era, grande sacerdote de Apolo em Delfos. Em seu tratado sobre Ísis e Osíris, diz:
 
“Em outros tempos, os deuses viviam na terra com os homens, e o grande Deus Rá, que habitava em Heliópolis (cidade do Sol), governava o Egito.

Então a Terra não estava ainda separada do Céu, e os homens eram como deuses. Mas se perverteram, renegaram o Deus Único e disseram: ‘vede-o que envelheceu e está achacadiço. Seus ossos são como prata, sua carne como ouro e seus cabelos como lápis-lazúli (Lazulite); seus membros tremem, e a saliva mana de sua boca’. Assim os homens zombavam de Deus. E Deus se encolerizou e ordenou à deusa do Amor, Hátor, que exterminasse o gênero humano. Hátor o exterminou, mas não por completo. Deus, movido de piedade para com os homens, inundou, durante a noite, a terra com uma bebida inebriante e quando, pela manhã, a deusa entrou naquele mar, viu refletido nele seu rosto e alegrou-se de sua formosura. Provou do licor, embriagou-se e cessou de exterminar o gênero humano.

Mas a antiga união do Céu e da Terra ficou desfeita. E Deus disse: ‘Meu coração está cansado. Não quero viver com os homens e não quero aniquilá-los por completo’. E Deus deixou a Terra, subiu ao Céu e separou a Terra do Céu. E são, ainda hoje, como serão até o fim dos tempos. Assim acabou o primeiro mundo e começou o segundo.”
 
Quando Deus, ao subir ao Céu, abandonou os homens, estes, devorando-se uns aos outros como animais selvagens, ter-se-iam exterminado se não tivesse sobrevindo Osíris. Ele nasceu como simples mortal e, tendo chegado a ser rei do Egito, afastando os homens de sua existência bestial, ensinou-lhes a cultivar os cereais, deu-lhes leis e instituiu o culto aos deuses. Depois percorreu o mundo, proclamando seu reinado e submetendo todos os povos, não com a espada, mas com o Amor, com o canto, a música e a dança. Quando voltou ao Egito,seu irmão Tífon-Set, com setenta e dois conspiradores, decidiu sua perdição. Tomou em segredo a medida exata de seu corpo e, baseado nela, construir um cofre magnificamente ornamentado e convidou seu irmão para um festim. Durante o ágape, os servos trouxeram o cofre. Todos os convidados se maravilharam e Tífon, como que gracejando, prometeu presenteá-lo àquele cuja estatura se adaptasse às dimensões do cofre.

Os setenta e dois cúmplices estendem-se um após outro no cofre, o qual, no entanto, não foi feito na medida de nenhum deles. Por último, o próprio Osíris se estende nele. Então investem todos sobre o cofre, fecham-no, pregam a tampa com cravos e soldam-na com chumbo derretido, levam-no ao Nilo, arrojam-no à água, e o cofre, pela boca do Tanais, vaga (deslizando suavemente até o mar).

Ísis, esposa de Osíris, andou buscando durante muito tempo o corpo de seu esposo, errante por toda a terra. Por fim o encontra e, com gritos e prantos, deixa-se cair sobre ele, aperta seu rosto contra o do morto, beija-o e rega-o com suas lágrimas. Depois, partindo de novo em busca de seu filho Hórus, igualmente perdido, esconde o cofre com o corpo de seu esposo entre os papiros do Nilo. Mas Tífon, caçando à noite com a lua nova, nota o cofre sob os raios do astro e reconhece-o. Retira o corpo, rasga-o em quatorze partes e espalha-as aos quatro ventos.

Ísis toma conhecimento do fato e recomeça a busca. Recolhe, um por um, os despojos do desmembrado corpo, junta-o e ressuscita o morto.

“Estes símbolos nos levam ao conhecimento de Deus”, conclui Plutarco – mas ele próprio é incapaz de decifrá-los.

O corpo é o ataúde da alma enterrada neste mundo. Assim Osíris caiu no cofre de Set, no corpo-ataúde: nasceu e morreu voluntariamente: “Sabe o dia em que há de deixar de ser”.

O nascimento é uma queda; a ressurreição um levantar-se; Osíris cai para levantar-se e levantar os que caíram; morre para renascer ele mesmo e ressuscitar os demais.

O ataúde egípcio é a envoltura, de madeira e pedra, da múmia e reproduz exatamente não só a forma do corpo, mas também as mesmas aberturas do rosto do morto. O corpo se reconhece pelo ataúde, como a alma pelo corpo. É o ataúde das medidas exatas. Esse é o princípio de distinção, de diferenciação. O Deus desmembrado é o mundo múltiplo: “Sou um, feito dois, quatro, oito”. Eis aqui por que Tífon esquarteja o corpo de Osíris.

Mas se Osíris é Deus, quem é Set? O diabo? Não.

“A perfeição do ser é um mim e o nada é em mim: eu sou Set, o zero entre os deuses. Detém-se, pois, Hórus! Set é recebido no número dos deuses”, diz Osíris a Hórus, seu filho e vingador.

Isto significa que Osíris e Set fazem um, que são as duas contrapartes do Deus Uno. Osíris conhece o dia em que há de deixar de ser. Esse “deixar de ser” é justamente o nada em Deus, Tífon-Set.

Estes são os simbolismos que nos levam ao conhecimento de Deus.

São Clemente de Alexandria foi, antes de sua conversão ao cristianismo, iniciado em grande número de mistérios pagãos; entre outros, nos de Osíris. Deles se lembrou quando disse que a sabedoria grega vê a verdade eterna em “crucificação ou desmembramento em que baseia o ensinamento da teologia do Logos Eterno”.
          
Quando Ísis morreu, foi sepultada num bosque perto de Mênfis. Sobre sua tumba erigiu-se uma estátua coberta com um véu negro desde os pés até a cabeça e por baixo estas divinas palavras: “Eu sou o que foi, isto é, tudo o que será, e ninguém entre os mortais se atreveu a levantar o véu”.
          
Sob este véu estão ocultos todos os mistérios, e alguns foram conhecidos pelo homem, cuja solução não pôde achar. Só puderam levantar o véu os Mitras, os Krishnas, os Cristos, e nós poderemos se quisermos seguir seus passos. Se o homem persiste em sua ânsia de divinizar-se, a luz brilhará através do véu e poderá ver por trás dele.

Para isso deve encarar a verdade sem levar em conta quão contrária seja ela a suas antigas crenças ou opiniões. O amante da verdade pode levantar o véu.
          
Osíris e Ísis são os pais de todos os mistérios. Todos os deuses são substitutos destes dois e de seu filho Hórus. Ísis é Maia, Maria, Matéria, Mãe, tanto da humanidade como dos deuses.

Hórus é o filho, o Logos, o Verbo, o Cristo, o Filho de Maria, mãe de Deus. É o símbolo da Luz que diz: Eu sou a Luz do Mundo e o que vem a mim não anda em trevas. Eu sou o que o Criador é, logo Eu sou Ele, Ele é Eu. Por Ísis somos mortais, mas também por ela adquirimos a imortalidade.
          
Em Ísis-Matéria dorme a Luz Divina do Espírito, mas o Fogo Criador Eterno (ou o anseio sexual, que é o fogo e luz) nunca pode ser extinto. Em todas as religiões os mistérios se repetem. Na religião hindu vemos que Shiva mutila Brahma, como Tífon o fez com Osíris, como o javali matou Adônis.
          
Osíris, que é Fogo Criador Divino na matéria, foi através do Sol adorado e conhecido sob diferentes nomes: antes era Mitra, logo Brahma da Índia, depois Adônis da Fenícia, Apolo na Grécia, Odim dos escandinavos, o Hu dos bretões, o Jesus dos cristãos etc… .
          
Se o povo tomou o Sol por Deus em vez de sentir Deus pelo fogo e pela Luz Divina que estão em cada ser, os iniciados não foram responsáveis por este erro. Não foi dito pela Luz do Mundo: “Mulher! Dia chegará em que não se adorará a Deus nem nesta montanha nem em Jerusalém, mas sim em Espírito e em Verdade”? No entanto, até o presente momento o povo adora a Deus por meio de uma estampa ou de uma imagem. Os iniciados sempre ensinaram que o Sol doador da vida não era senão o símbolo da força criadora universal, que era conhecida e sentida pelos super-homens como Fogo Interior e Luz Inefável.
          
Ísis recebeu os nomes Ceres, Réia, Islene, Vênus, Vesta, de onde as vestais do fogo sagrado tomaram seu nome, Cibeles, Níobe, Mális, Óssi, entre os índios, Pussa entre os chineses, Cerideu, entre os bretões antigos e Maria entre os cristãos.
          
Os sábios caldeus, como astrônomos e astrólogos famosos, descobriram leis que, ainda hoje, são reconhecidas como exatas. A cada estrela deram um nome e para cada dia do ano designaram uma estrela. Depois os gregos encarnaram estes nomes em lendas e, por fim, os personificaram em pessoas. Destas lendas se originaram os anjos, os gênios, os heróis e os santos.
          
A mitologia contém em si a verdade religiosa, diz Schelling. A religião não é mitologia, mas a mitologia é religião.

O mito universal do Deus que padece, que morre assassinado ou crucificado, não é oriundo do fato de ter ocorrido uma vez e sim em virtude de ter de suceder sempre, que é sentido de novo na vida de cada ser humano. Não sucedeu uma vez, mas sucede sempre. O Cristo-Luz oculto no paganismo revela-se no cristianismo.
          
Já foi dito que o homem chega a fazer de Deus o conceito que lhe permite sua educação intelectual e social; por esse motivo muitos dos homens atuais, ao verem os antigos santuários de Serápis, de Vênus, de Apolo e outros, se perguntam: “A que Deus oravam esses imbecis de então?” Para eles, os construtores da Pirâmide de Queóps, a maravilha científica das idades, são imbecis. Eternas tolices têm sido ditas sobre as coisas eternas. Quando se descobriu a múmia do faraó Ramsés, foi embrulhada em folhas do jornal Les Temps e transportada para o Cairo num carro. O conferente da alfândega pesou-a e, como não encontrasse na tarifa a classificação correspondente, aplicou-lhe a taxa de bacalhau seco. E, assim, para nossos doutos fiéis, modernos, o corpo das antigas religiões é bacalhau seco.
          
Algum cristão, por acaso, já se deu ao trabalho de pesquisar sob o invólucro do mito para encontrar o mistério? Não, porque ninguém suspeitou, ainda que a verdade do mito esteja no mistério.

Omar, ao queimar a biblioteca de Alexandria, disse: “Se os livros são bons, não os necessitamos, porque todo o bem o temos no Alcorão, e, se são maus, não devem existir”.
          
Osíris, Tamuz, Adônis, Átis, Mitra, Dionísio são a sombra das coisas vindouras, mas, por lógica, devemos deduzir que o Corpo de Cristo deve ter existido eternamente, pois sem o corpo não pode haver sombra. Antes de Cristo existiu o cristianismo, ensinou Santo Agostinho; tudo o que não é eterno não é verdadeiro, diz Hermes Trimegisto. Os mistérios de Osíris são eternos e, por isso, florescem em todas as religiões que lhe sucederam, apesar da deturpação de seus significados.
          
“O ruído aborrece Deus. Rezai em silêncio, homens!”, diz o verso de um hino dirigido ao Deus-Sol-Amon-Rá. E depois de milhares de anos, Jesus repete: “Fecha a porta e ora a teu pai que vê em segredo, e te recompensará”.
          
"Comecei por ser Deus Uno, porém três deuses foram em mim”, diz um antigo livro egípcio de Deus Nun. Por acaso os padres do Concílio de Nicéia falaram melhor? “Glória a ti que baixas nas trevas”, diz um verso de um hino antigo. E “A luz resplandece nas trevas”, diz São João.

“O Espírito na Matéria é a luz nas trevas”, ensinam os Magos. “Por que a matéria na há de ser digna da natureza divina?” pergunta Spinoza. Ninguém respondeu a esta pergunta senão o Egito.
          
Os mistérios de Osíris são os mistérios da Religião do Sexo. No santuário de Donderach, em leito mortuário, está estendida, envolta num sudário, a múmia de Osíris ressuscitante, com o ‘Falo’ ereto. A deusa Ísis, em forma de gavião de asas abertas, desce sobre ele e, viva, se une com o morto e extrai o sêmen do esposo. O sexo é a vida através da morte.
          
Osíris se pronuncia em egípcio antigo Usirit, que quer dizer “Osírisis” numa só palavra, com as significações masculinas e femininas: ele-ela, andrógino, homem-mulher. Em cada homem se esconde uma mulher e em cada mulher, um homem. Osíris-Espírito une-se com sua irmã-Matéria e engendram Hórus, em quem estavam todas as coisas. Deus, Elohim, criou o homem à sua imagem e semelhança; criou-o à imagem de Elohim, macho e fêmea os criou (embora o original diga macho-fêmea). Primeiro o depois os (a imagem de Deus está no homem, Deus em Um; não Adão somente, mas Adão e Eva ‘Ieva’, porque o próprio Deus é Duo, Ele e Ela, Homem-Mulher).
          
O mistério do sexo (do Uno) é o mistério dos dois. O Talmud diz: “O homem e a mulher foram, em princípio, um só corpo de dois rostos (pólos), mas logo o Senhor os dividiu em dois e deu a cada metade uma espinha dorsal. Viver em Dualidade Sexual é caminhar para a morte…”
          
A religião do Egito é a religião do sexo. Mas do sexo que ressuscita e não do sexo que mata; no mesmo corpo de Deus Osíris desmembrado Ísis substitui o desaparecimento do ‘Falo’ sagrado por outro de madeira, para a ressurreição … Ísis é esposa, irmã e mãe. A matéria é filha, irmã e mãe de Deus. A virgem é filha do Pai, esposa do Espírito Santo e mãe do Filho…

“Durante os dias em que se celebravam as festas do Deus Livre, a imagem do ‘Falo’ era colocada em carros e exibida pela cidade com grandes honras”, conta Santo Agostinho falando dos mistérios pagãos.
          
A circuncisão é o testemunho nupcial de sangue e carne. Até hoje, ninguém, ninguém mesmo descobriu o significado do mistério da circuncisão. O anel da circuncisão é o anel dos esponsais. É a união conjugal do homem com Deus. “Que coisa tão espantosa e que blasfêmia!” Mas é menos espantoso comermos Deus? Nutrirmo-nos de sua carne e de seu sangue? “Quem é que pode ouvir isso?!”, exclamaram, espantados, os discípulos do Senhor, quando pela primeira vez ouviram tal afirmação. O mistério da circuncisão é este:

“Através da circuncisão desse anel recortado na carne o homem contempla Deus eterna e involuntariamente. Por quê? Porque a extremidade do membro é o ponto mais ardente e, por isso, este ponto mais ardente do prazer sexual é consagrado a Deus e o Universo se eleva a Deus por esse anel”. (Colégio dos Magos)
          
Os elos da cadeia ou os anéis da circuncisão – carnal ou espiritual – encontramo-los na Religião do Pai em toda a Antiguidade pagã, no Testamento do Pai. Moisés encontrou a circuncisão no caminho do Egito, porque o Egito é a fonte do sexo sagrado. Adorar ao Pai em Espírito e Verdade é chegar a Ele pelo Sentir e pelo Amor. Orar ao Pai é comunicar-se com Ele, entrando no interior (do aposento). Falar-lhe é senti-lo em segredo. Esta foi e é a religião dos sábios e iniciados.
          
“Mas ao Pai ninguém viu”, diz o Grande Mestre. No entanto, o Pai engendra o Filho e ressuscita-o; logo a primeira idéia da geração e da ressurreição vai unida à idéia do Sexo e nunca as religiões de Mitra e de Osíris fizeram qualquer distinção entre as duas idéias… A base de toda religião é: “O sexo excede os limites da Natureza. Está por fora e por cima dela… É o abismo que leva aos antípodas do Universo. É a única imagem do outro mundo que se nos mostra neste”. (Colégio dos Magos)
          
“O Sexo é o único contato de nossa carne com o além.” (Colégio dos Magos)
          
A sede sexual é a sede da ciência, da Árvore do conhecimento do bem e do mal. Os dois serão uma só carne. Sim, mas ainda não o são, senão no amor mortal, já que tudo o que nasce morre. O Egito sentiu o amor imortal que ressuscita.
          
O ‘Falo’ de Osíris não simboliza a procriação, a fecundidade, o nascimento e a morte, mas a ressurreição. “Ó deuses, saídos da energia sexual! Estendei-me vossos braços”, suplica um morto levantando-se do ataúde (Livro dos Mortos). Outro ressuscitado confessa: “Ó Energia Sexual de Osíris que extermina os inimigos rebeldes (contra Deus)! Por ela sou mais forte que os fortes, mais poderoso que os poderosos”.
          
As religiões antigas que adoravam o Sexo não adoravam o Sexo grosseiro, terreno, animal, mas sim o fogo sexual sutil, espiritual, astral, cósmico, aquela força divina que ressuscita, já que os mortos têm de ressuscitar, de engendrar a si mesmos na Eternidade. O Credo de Nicéia diz: “Creio na ressurreição da Carne”. Enquanto as religiões antigas criam na ressurreição da carne por meio do Divino Sexo. Por isso os egípcios, cortando às vezes o ‘Falo’ do morto, embalsamavam-no separadamente e o depositavam ao lado da múmia em pequeno obelisco de madeira dourada, simulando o raio solar, ou ‘Falo’ divino que vivifica: outra forma de união do morto com o Sol. Por isso Ísis encontra todas as partes do corpo desmembrado de Osíris, menos o ‘Falo’, porque foi arrebatado e levado ao ponto de onde havia vindo, deste mundo ao outro, e a deusa o substituiu por uma imagem de madeira de sicômoro.

Os mistérios de Ísis, o véu de Ísis! Quem se atreve a divulgá-los sem ser queimado vivo?

A religião de Osíris é a religião do sexo divino, pela qual o homem, inteiramente, pode ver Deus de frente a frente sem morrer. Osíris é o Fogo-Luz em todo o corpo, em cada uma das células. Este Fogo Criador não tem sua sede nas partes sexuais e sim é mais vasto que o corpo. O Fogo não está no corpo, porém o corpo está no Fogo. O Sexo pode causar a morte, mas sem o Sexo não há ressurreição.

 

(Dr. Jorge Adoum, Do Sexo à Divindade)

 

 
 

Sexo normal – Infra-sexo – Supra-sexo

Publicado 10/03/2012 por eduardfis

 

 

SEXO NORMAL – INFRA-SEXO – SUPRA-SEXO

 

Certamente podemos estudar a Sexologia desde dois ângulos totalmente diferentes. O primeiro, desde o ponto de vista meramente oficial, tal como é ensinado na faculdade de medicina. O outro, desde o ponto de vista Gnóstico. Vou confrontar a Sexologia à luz do Gnosticismo Universal.

Antes de tudo, Gnose significa conhecimento. A palavra Gnose entra também na ciência oficial, por exemplo: diagnose, diagnóstico. Vejam vocês a Gnose aí, na etimologia. Em todo caso, as correntes gnósticas definidas conhecem a fundo a Sexologia.

Em nome da verdade, devo dizer-lhes que Sigmund Freud, com sua psicanálise, iniciou uma época de transformações extraordinárias no campo da Sexologia. Sigmund Freud produziu uma inovação dentro do terreno da medicina e isso sabem todos os que já estudaram Freud. Adler foi certamente um dos seus melhores discípulos. Jung também foi discípulo dele e muitos outros psicólogos, psicanalistas e parapsicólogos.

O sexo em si é o centro de atividade de todas as atividades humanas. Em volta do sexo giram todos os aspectos sociais da vida. Vejamos, por exemplo, um baile, uma festa, em volta do sexo gira toda a festa. Num café gira tudo ao redor do sexo.

Hoje em dia o sexo começa a ser estudado por alguns sábios com propósitos transcendentais. Infelizmente – e é a verdade – abunda muito a pornografia. É desviado o sexo para atividades meramente sensuais. Existem várias classes de sexo: Existe o sexo normal, comum e corrente, existe o infra-sexo e existe o Supra-Sexo.

O que se entende por sexualidade normal? Entende-se por sexualidade normal, a atividade sexual que conduz, então, à reprodução da espécie.

A infra-sexualidade é diferente e há duas classes de infra-sexuais. Em matéria de Cabala, por exemplo, se diz que Adão tinha duas esposas: Lilith e Nahemah. Lilith representa uma das esferas infra-sexuais. Encontramos nela os pederastas, os homossexuais, as lésbicas, etc., e do lado de Nahemah encontramos os abusadores do sexo, os pornográficos, aqueles que se entregam totalmente à luxúria, sem freios de nenhuma espécie nem controle algum. São duas esferas da infra-sexualidade.

Assim pois, o sexo normal, repito, conduz à reprodução da espécie. Com relação ao deleite sexual em si mesmo, é um deleite legítimo do ser humano. Aqueles que consideram o prazer sexual como um pecado, aqueles que o qualificam como algum tabu ou aqueles que têm a tendência a considerá-lo motivo de vergonha, encobrimento, etc., estão totalmente equivocados. O deleite sexual, repito, é um deleite legítimo do ser humano. De jeito nenhum poderia ser menosprezado, subestimado ou qualificado como tabu. Existe o direito por natureza ao desfrute sexual.

Porém passemos agora ao Supra-Sexo, à Supra-Sexualidade. Inquestionavelmente, a Supra-Sexualidade é para os gênios, para os homens transcendentais, para as mulheres inefáveis, etc. Supra-Sexuais foram um Jesus de Nazaré, um Buddha, um Hermes Trimegisto, um Maomé, um Lao-Tsé na China, um Quetzalcoalt para nós os mexicanos, um Pitágoras, etc.

Todos poderíamos entrar no Reino da Supra-Sexualidade, no entanto, afirmo que, para entrar no Reino do Supra-Sexual, na esfera da Supra-Sexualidade, requer-se, primeiro que tudo, do sexo normal. O infra-sexual, por exemplo, lésbicas, homossexuais, pederastas, masturbadores, não estão preparados para entrar no Reino da Supra-Sexualidade.

O infra-sexual deve, antes de tudo, se quiser regenerar-se, começar por conseguir a sexualidade comum. Uma vez conseguida, pode ir em frente no caminho do Supra-Sexo.

É difícil a regeneração para os homossexuais e para as lésbicas que pertencem à esfera do infra-sexo.

Faz pouco tempo veio visitar-me um sujeito homossexual, ele vinha do seu país, Honduras. Tal homem possui uma cultura intelectual muito alta. Ele se entusiasmou muito pelas idéias revolucionárias da Sexologia, da forma como as preconiza o Gnosticismo Universal e, falando com franqueza, relatou-me sua trágica história de homossexual.

Todavia, ele manifestou-me a vontade de se regenerar, de entrar no terreno da sexualidade comum e, posteriormente, entrar pelo caminho Supra-Sexual.

Amigo, eu lhe disse, não tem outro jeito do que o senhor adquirir a sexualidade normal, o senhor é um afeminado, então, terá de começar primeiro por arranjar uma mulher, case, regenere-se, adquira a sexualidade normal, torne-se um homem normal, e o dia em que o senhor seja um homem normal, o dia em que o senhor goste das fêmeas, de verdade, então estará preparado para entrar no terreno da Supra-Sexualidade. Antes disso, não é possível, por enquanto, o senhor vai pelo caminho da degeneração, o senhor é um degenerado.

Bom, o homem não ficou ofendido, francamente, pois eu estava certo. Ele falou que ia arranjar uma mulher, que ia casar, que ia verdadeiramente lutar para se tornar uma pessoa de sexo normal, porque ele tinha vontade de entrar, algum dia, nas esferas trancendentais do Supra-Sexo. Tomara que aquele amigo se regenere, tomara.

Em outra ocasião veio visitar-me uma lésbica. Ela me disse que queria um conselho meu, que francamente ela gostava mesmo era das próprias mulheres, e que estava num problema gravíssimo, pois ela gastava muito dinheiro com certa dama por aí, porém que essa dama lhe estava pondo "chifres", como se diz. A verdade é que a tal dama dos seus anelos andava na rua com outras damas e, claro, isso lhe provocava ciúmes. E aquela lésbica sofria exatamente como se fosse um homem. Ela chorava, suplicava e pedia meus conselhos como se fosse um homem. Aqui para nós, era uma velha horrível, não posso lhes negar. Eu não pude menos do que olhá-la com asco terrível.

Bom, eu dei para ela uns quatro conselhos, eu lhe disse que o melhor era se regenerar, que arranjasse um homem, que entrasse pelo caminho da sexualidade comum, etc. Não sei se aquela coitada velha ter-se-ia regenerado, não parecia ter muita vontade de se regenerar, pois estava ciumenta demais, ciumenta por causa da dama dela, ciumenta com as outras damas que acompanhavam a dama dela; parecia toda um macho, nem mais nem menos. Vejam vocês que horrível é o caminho da degeneração, o caminho infra-sexual.

Porém, na verdade, não somente são infra-sexuais as lésbicas, os homossexuais, os masturbadores, ou pederastas. Não! Infra-sexuais são também os abusadores do sexo, esses que a cada instante, a cada segundo, estão trocando de dama, esses que copulam até dez ou quinze vezes diárias. Que existem, existem, eu os conheço. Sujeitos assim, indubitavelmente, também são degenerados, infra-sexuais, embora se considerem muito machos, porém o que acontece é que estão degenerados.

Entremos, agora, no caminho, então, da sexualidade normal. A sexualidade normal, em si, é bonita. Une-se o homem à própria mulher, amam-se, reproduzem a sua espécie, vivem uma vida mesurada, etc. Vivem, isso sim, de acordo com os interesses da natureza, de acordo com a economia da natureza.

Cada um de nós, somos uma maquininha – e isso não podemos negar – que capta determinadas espécies e subespécies de energia cósmica. Cada maquininha, ou seja, cada um de nós, depois de captar essas classes de energia cósmica ou universal, transforma tais energias automaticamente, subconscientemente e as retransmite às capas interiores da terra. Assim, pois, a Terra é um organismo vivo, um organismo que vive de nós.

Não pretendo dizer-lhes com isso que as plantas não cumpram igual função; é claro que cada planta, segundo à espécie, capta tais ou quais classes de vibração cósmica, que depois transforma e retransmite às capas interiores da terra.

Com relação aos organismos dos animais, acontece a mesma coisa. Eles captam tais ou quais classes de energias que transformam e retransmitem às capas interiores do organismo planetário. Em conclusão, a Terra é um organismo vivo.

"Nós nos reproduzimos incessantemente com a sexualidade normal, isso é necessário para a economia da natureza. Além disso, o desfrute sexual é um desfrute legítimo do ser humano, não é um crime, não é um delito como supõem muitos insensatos, muitos mentecaptos, muitos pietistas, etc. Porém, hoje por hoje, nós com a nossa sexualidade normal vivemos de acordo com os interesses econômicos da natureza."

"Outra coisa é a Supra-Sexualidade, isto é definitivo. Entrar no terreno Supra-Sexual é estar já no caminho das transformações extraordinárias. Federico Nietzsche, na sua obra, "Assim falava Zaratustra", fala francamente do Super-Homem. Ele diz: "Chegou a hora do Super-Homem. O homem não é mais do que uma ponte colocada entre o animal e o Super-Homem, um perigoso passo no caminho, um perigoso olhar para trás. Tudo nele é perigoso. Chegou a hora do Super-Homem."

Bom, Hitler interpretou Nietzsche a seu modo. Durante a Segunda Guerra Mundial, até o mais insignificante policial alemão era um Super-Homem(1). Ninguém se sentia pequeno na época de Hitler, na Alemanha, todos eram Super-Homens(2). Parece que Hitler, embora com muito "boas intenções", não soube interpretar Nietzsche. Eu acredito no Super-Homem, francamente o manifesto a vocês, porém, parece-me que Hitler errou o caminho.

Pode-se chegar à estatura do Super-Homem, mas isso só é possível mediante a transmutação das energias sexuais e isto pertence ao terreno do Supra-Sexual.

Notas:

1 e 2 – consideravam-se como Super-Homens, porém não o eram em realidade.

IMPORTANTE: O Arcano AZF só deve ser praticado entre esposo e esposa em lares legitimamente constituídos. Aqueles que praticam o Arcano AZF com várias mulheres cometem o grave delito do adultério. O mesmo vale para as mulheres.

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(V.M. Samael Aun Weor, As Três Montanhas)

 

Rasgando véus

Publicado 07/03/2012 por eduardfis

 

 

RASGANDO VÉUS

 

O órgão masculino, o Falo, era considerado (e é) a fonte encarnada do ser, a personificação do Poder Criador e o lógico símbolo do Criador da Vida.
 
Como representante do Poder Criador da vida humana, foi exaltado, e por fim prestou-se-lhe culto. A força criadora foi deificada como deidade suprema qual pai unido à sua natureza e por essa natureza vêm à existência todos os seres. O Falo era a encarnação deste poder para o cumprimento dos grandes propósitos da vida, que são a geração e a regeneração. A geração era representada com a linha vertical e a Re-Generação com a linha horizontal, e assim se formou a Cruz, símbolo do Falo ou representação da força fálica, ou a sublimação da semente criadora. A cruz representa as duas atividades. Todas as religiões consideravam a esterilidade como afronta e maldição. O supremo dever religioso de cada mulher era dar filhos e perpetuar a semente da raça humana
 
O homem e a mulher, antigamente, viam no Criador a Fonte suprema da felicidade… Era a Deus que as mulheres pediam filhos… Para elas, Deus era uma realidade substancial claramente definida. Estava em conexão direta e pessoal com o ato da geração. Era o próprio Criador que ia para dentro da mulher por intermédio do homem. O homem era representante de Deus. O Falo era a divina função operante por intermédio da qual Deus obrava. É por isso que a humanidade daquela época era mil vezes mais pura do que a de hoje, porque, então, no ato da criação via-se somente Deus.
 
O Grande Hierofante dos Magos explicou a Circuncisão. O membro viril é considerado como especialmente consagrado ao Criador, seja como símbolo, seja como conduto do poder e dos desejos divinos a serem cumpridos. Antigamente, para se tornar o juramento de uma pessoa, ela devia colocar a mão sobre o Falo do ser a quem fazia o voto ou a promessa. Hoje jura-se sobre a cruz.
 
O libertino que abusa do seu poder viril lança fora a sua própria alma, e se a cruz é o símbolo da salvação é porque a Cruz Fálica respeitada e venerada é fonte de saúde, poder e iluminação. As religiões antigas e a Maçonaria Moderna não iniciavam em seus mistérios os eunucos ou os seres sexualmente impotentes, porque não poderiam estes ver nem sentir o Fogo Criador em si mesmos, logo não podiam sentir Deus nem se sentirem Deus. Quanto mais viril fosse um homem, mais valor tinha para o bem e maior veneração lhe era prestada.
 
Os mais antigos registros dos egípcios e dos hindus se referem ao culto da Cruz Fálica como uma religião estabelecida milhares de anos antes da era cristã, que tinha dado lugar ao nascimento do sistema da teologia. Essa religião e as que se lhe sucederiam tinham por objetivo o culto das forças criadoras. Os que condenam aquelas velhas religiões se condenam a si mesmos porque manifestavam uma atitude mental suja e impura.
 
Sempre as lendas nos contam que Deus aparecia ao homem sob a forma de fogo. Fogo é o calor que dá vida, e a alma imortal é puro fogo. Para se obter a Imortalidade Consciente é preciso ver o Fogo Divino no Corpo, do qual o Sol e o fogo material são os símbolos. Osíris morava no Sol como o Criador Onipotente e foi personificado pelos homens.
 
Da adoração do Fogo Divino dentro do templo-corpo se originou a adoração do Sol como Criador e preservador da humanidade, e do Culto Solar derivaram todas as religiões existentes. Quando o homem contemplou a morte da Natureza durante os meses de frio, devido à ausência do Doador da Vida, que é o Sol, ele lhe dava as boas-vindas e agradecia com alegria e louvores a renovação da vida, quando o Sol, o Pai Onipotente, o Salvador, aparecia novamente no horizonte, com poder e glória.
 
Deus é a alma do Universo. O Sol é a alma do sistema. A alma é o Sol do homem.

Nascer um filho de uma virgem significa que a virgem foi escolhida para gerar uma criatura humana com propósito sagrado, elevando-a acima das suas irmãs mortais, para receber aqueles Espírito Divino que vem em nome do Senhor. Esta é a concepção imaculada que dá nascimento a Krishna, salvador hindu, a Buddha, o fundador das maiores religiões do mundo, e a Jesus, o moderno salvador da humanidade, e outros mais.
 
Também a humanidade adorou Deus em forma feminina, isto é, foi reconhecida a necessidade da união do macho com a fêmea para o cumprimento do sagrado propósito da geração, dando lugar ao culto do princípio feminino. Por tal motivo temos Ísis, Astarte, Vênus, Maia e, por último, Maria. O Espírito, que é considerado positivo ou masculino, é que gera a Matéria (Mater), que é o elemento passivo. O Espírito é o gerador, a Matéria é o amor da Natureza e o regenerador. O efeito mágico da mulher, principalmente se virgem, sobre a natureza masculina, por meio das emoções e dos sentimentos, era considerado como o despertador do Fogo Criador. Este esplendor natural era olhado com a mais profunda reverência, porque encerrava a saúde, a iluminação e a superação. Já temos o exemplo de Davi e a jovem moabita na Bíblia.

A terra é encarada como feminina onicriadora e o seu consorte é o Sol; por isso o Sol era Osíris, a terra, Ísis, a mãe, e Hórus, o produto, ou o filho.
 
Os símbolos mais sagrados das religiões são os que representam o útero da mulher, como, por exemplo, a Arca. Dentro dessa arca ou recinto do templo, somente o sacerdote podia entrar. Era o Santo dos santos, que continha o símbolo divino da vida, sem o qual o homem não viveria senão uma geração. A Arca da lenda de Noé continha todos os elementos da vida. O tabernáculo continha a vara de Aarão, o pote de maná e os Dez Mandamentos, símbolos de salvação por intermédio da mulher. A Arca dos egípcios continha a Cruz Fálica, o ovo e a serpente.
 
O ovo é um símbolo universal do princípio feminino; era considerado como o germe de todas as coisas e o emblema da regeneração. A Páscoa e os ovos da Páscoa representam o símbolo da reprodução, isto é, a ressurreição.
 
A lua é passiva e receptiva, era tida como feminina. Era Ísis, a deusa lunar divinizada. Era considerada a esposa virgem do Sol. Representa yoni ou linha horizontal da cruz como símbolo do poder criador feminino. A meia-lua é o símbolo da virgindade. A lua representa o útero, a Porta da Vida. O uso da ferradura é devido ao costume de se colocar a representação do yoni (órgão feminino) nas portas dos templos antigos. Este costume foi adotado pelo povo como emblema de felicidade e boa sorte.
 
O peixe é um símbolo religioso muito antigo consagrado a Ishtar, Vênus e outras divindades femininas. Por um lado, isso se deve à sua fecundidade, e, por outro, porque a sua boca se assemelha à Porta da Vida, Arca da Aliança. Vishnu faz sair da sua boca um grande peixe, ou os seres do mundo.
 
A lenda de Jonas significa que o ser que se recusa a obedecer à Lei da Regeneração, querendo somente a geração é arrojado à morte e devolvido contra a sua vontade à Regeneração através da Porta da Vida ou Peixe. Este é o significado da mitra do bispo caldeu, a qual tem a forma de cabeça e boca de peixe, ou Porta da Vida.
 
A serpente é considerada o símbolo do Criador, do elemento masculino. Já explicamos anteriormente o seu significado. Aqui podemos acrescentar: aquele que pode levantar a sua serpente adquire sabedoria, poder, imortalidade, bondade, vida, regeneração, quando ela está levantada sobre a Cruz. Se ela se arrasta é a causa de todo o mal. Assim a conheceram no Egito, na Síria, na Grécia, na Índia, na China, na Escandinávia e na América. A serpente foi adorada em todos os tempos e simbolizou todas as divindades.
 
A divina paixão no homem é a força onipotente e fonte vital de toda a criação. É o poder atuante do Pai onipotente.
 
A Serpente ou o Instinto Criador é fonte de todo bem e de todo mal. (Expliquemos de uma vez o mistério: é o símbolo do bem quando está levantada sobre a cruz, isto é, quando esse Instinto Criador ou a Serpente Ígnea ascende para a iluminação do ser, para a procriação, para a regeneração. Vemos esta serpente em todos os templos nesta posição. Mas, quando ela está sobre o ventre, é o mal que ataca o calcanhar do homem, é a serpente do pecado, das práticas degradantes do sexo, a paixão cega, o fogo da luxúria. Este é o mal, “é o demônio”, o opositor de Deus Fogo-Luz Interior…)
 
Este é o significado da lenda bíblica de Adão e Eva no Paraíso. Adão, não obedecendo ao Divino Fiat e não comendo o fruto da Árvore do conhecimento do bem e do mal, isto é, em lugar de empregar o seu ato para a regeneração, usou-o para a satisfação desenfreada do seu próprio gozo. Esse gozo próprio foi induzido pela serpente ou paixão descontrolada. O abraço sexual ordenado pelo Criador era para cumprir um propósito divino, ato de maior santidade que o homem poderia realizar.
 
A cruz e a serpente foram sempre os mais fiéis símbolos do Falo. O princípio criador é o Falo Ideal, e o princípio criado, o Cteis formal. A inserção do falo vertical no Cteis horizontal forma o stauros dos gnósticos, ou a cruz filosófica dos maçons. É a Âncora da salvação, que tem a forma do T invertido.
 
A cruz sempre foi usada como símbolo religioso e por todos os povos da Antiguidade. Quando os espanhóis chegaram à América, ficaram atônitos ao verem que os nativos prestaram culto a um salvador crucificado, e que a cruz era o símbolo da salvação e da vida futura. A cruz mais antiga é a tau, ou o T. no início do cristianismo era proibido o uso da cruz.
 
A cruz sempre representou a divina união sexual, considerando que com esta união chega-se à regeneração, à redenção e à vida eterna, porque o homem obtém e dá, a Imortalidade com esta união.
 
O homem e a mulher, isolados, são estéreis e impotentes; só por meio da sua união sagrada são capazes de cumprir a Vontade Divina. Esta é a Verdade Absoluta e a Razão pela qual o Supremo Criador formou o homem em dois sexos, em vez de formá-lo num só. Quando ambos se unem para o duplo propósito de gerar e regenerar, pode-se dizer deste matrimônio: “Aquilo que Deus juntou, o homem não separa”.
 
A mais santa oração e a mais sagrada entre as funções é a Sagrada União Sexual para a geração, e em seguida para a regeneração. Nenhum ato pode ser mais santo do que o que imita a Deidade. Ser como Deus, obrar como Deus é a base de todas as religiões e da Iniciação. Se não, o que significam estas palavras de Elohim: “Eis aí, o homem se fez um de nós”? Se o homem não elimina do seu coração e da sua mente todos os preconceitos, o hipócrita pudor e a falsa virtude, e se não grava no lugar deles as verdades básicas ensinadas pelo espírito das religiões e na Iniciação, jamais chegará a sentir a verdade e a divindade em si.
 
Todos os povos têm as suas lendas solares, que consistem na ressurreição da vida. O Sol desaparece (morre como Adônis, Osíris, etc.) entrando nos escuros reinos do firmamento Sul, deixando o mundo frio. Depois de uma curta ausência, durante a qual toda a Natureza chora, reaparece com toda a sua majestade e luz, trazendo à terra a fecundidade e a alegria que lhe faltaram durante o inverno. A terra, a mãe, gera o seu filho e a vida renasce sob o poder vitalizador do Pai Sol. Todo o mundo, a natureza toda é uma simbolização triunfante da Regeneração da Vida; “a alma, que é o Sol do homem, tem de seguir o exemplo da Mãe Natureza; tem de seguir o caminho do Sol, isto é, despertar novamente depois da sua viagem (para mais além), para reviver e desfraldar a sua glória…”

Bem e mal; escuridão e luz; o triunfo do dia sobre a noite, etc. são chaves da religião. O sol do verão está personificado num jovem que é assassinado pelo mal, representado pelo frio, e levado ao mundo inferior (inferno), onde permanece cativo pelo Deus do Inverno, para depois regressar à terra, que se alegra com a sua presença.
 
O sol é considerado o Salvador Divino, que veio redimir o mundo das trevas. As estrelas matutinas eram os seus heraldos. A noite é um cruel tirano que teme a luz, trata de destruir os portais inferiores ou infantes, extinguindo assim todas as luzes ou infantes do firmamento. Esta é a lenda da matança das crianças quando nasceu Krishna e também quando nasceu Jesus.
          
Os doze signos do Zodíaco eram os assistentes do Redentor do mundo, o Sol. O duodécimo mês ou signo zodiacal (Judas, O Iscariotes) era um traidor, que o vendeu, causou a sua morte e desceu à morada dos mortos, para depois ressuscitar com glória e poder. Esta é a vida de cada homem, que, como iniciado, deve seguir a mesma lei da vida. A descida à Matéria, a escuridão do útero materno e demais influências o controlam, porém por fim a sua ressurreição e imortalidade vêm, se seguir o Caminho da Luz.
 
Todos os redentores nascem de uma virgem e no dia 25 de dezembro, porque nessa data o Sol nasce, passando o solstício de Inverno, quando começa a salvar o mundo com o seu calor.

Todas as religiões têm as suas cerimônias e os seus sacramentos cuja finalidade é preparar o povo, aos poucos, para a compreensão dos mistérios da divindade no sexo. Um dos feitos mais surpreendentes e sagrados é a adoração da Deidade, comendo a sua carne e bebendo o seu sangue sob a forma de pão consagrado (carregado de sagradas invocações) e vinho fermentado, que eram servidos por sacerdotes trajando de branco, e de que participavam os iniciados em Santa Comunhão.
 
Usar suco de uva ou suco de frutas não-fermentado para os Santos Sacramentos no lugar de vinhos fermentados é arrojar ao pó, aos escravos e débeis a santidade destas cerimônias. Isso traz a decadência das sociedades e igrejas, porque prostitui o mistério divino. O suco de uva sem fermentar representa o homem físico antes da Regeneração. Quando o vinho fermenta converte-se em Espírito – o Espírito da Vida –, Ígneo Cristo. É então tanto físico como espiritualmente, o Espírito Dual.
 
Simbolicamente, o homem recebe este Espírito Crístico e se salva com ele. O suco fermentado deve ser usado no Sacramento da Eucaristia, ou então se converte em blasfêmia ou numa paródia burlesca, maldita, e traz desunião na Igreja.
 
A comunhão do “corpo e sangue de Deus” neste rito religioso era um Misterioso Sacramento em todas as partes do mundo antigo, inclusive no continente ocidental muitíssimo antes do Descobrimento da América; os mexicanos e os peruanos o celebravam e o chamavam “a mais santa festa”.
 
Em muitas tumbas encontrou-se o “Osíris vegetante”; em alguns quadros a múmia de Osíris está coberta de sementes de trigo, e, em outros, a múmia está rodeada de espigas de milho. O Livro dos Mortos diz: “Os homens comem a tua carne”. Um papiro mágico reza: “Seja este vinho o sangue de Osíris”. Os mistérios do Osíris são representados pelo cálice e a espiga, o vinho e o pão da Eucaristia. Pois bem, Jesus, na sua ceia, nada mais fazia do que cumprir a Santa Lei dos iniciados, que convertiam o pão e o vinho em corpo e sangue verdadeiros do hierofante que oficiava.
 
Nos mistérios eleusinos, o pão representa Ceres, deusa do trigo, e o vinho representa Baco, o deus do vinho, que deu o seu sangue aos homens para alimento. O pão e o vinho recebiam culto porque eram considerados como corpo e sangue, ou, na verdade, a substância real do Pai e da Mãe da vida. O vinho representa Ísis, o elemento feminino; o pão, representado em forma redonda, era o símbolo de Osíris, o Pai Sol, princípio masculino. A participação dos dois juntos significa a vida regenerada por vir.
 
Nos festivais da primavera, homens e mulheres usavam um atavio alegre nos trajes e chapéus; essas festas eram consideradas como festas de ressurreição da vida e do poder gerador da Natureza. O mais surpreendente era que a rainha do céu ou deusa da vida dos antigos teutões e saxões se chamava Páscoa. O mês de abril era dedicado em sua honra. Era costume fazer presentes como ovos coloridos na festa dessa deusa porque o ovo era considerado o emblema sagrado da ressurreição. Há quatro mil anos, os caldeus festejavam a Deusa da Primavera, a Renovadora da Vida, a Rainha do Céu Ishtar, ou melhor, Páscoa Ishtar.
 
Todas as religiões celebravam a ressurreição de um Deus (regeneração da vida). Rejuvenescimento depois da velhice, após permanecer três dias no túmulo. Astronomicamente, esses três dias são a representação dos três meses do inverno, durante os quais o Sol perde o seu poder, e o mundo carece deste doador da vida. Krishna, Buddha, Zoroastro, Osíris, Mitra, Hórus, Baco, Átis, Quetzalcoatl e todos os salvadores do mundo, depois de terem descido ao mundo inferior, se levantaram no terceiro dia e ascenderam ao céu… Na Iniciação Interna, o iniciado deve descer ao mundo inferior durante os três dias para cumprir o seu dever de ajudar no mundo submerso, antes de voltar à vida para escolher o ramo de auxílio que deve seguir.
 
A morte e ressurreição de Adônis (que significa Senhor, Luz Divina; dali vem Adonai) eram celebradas anualmente na primavera pelos assírios, babilônios, fenícios, judeus e outros povos. Todos as profecias referentes a Jesus que fazem menção ao filho de Deus ou redentor, ou àquele que se assentava à direita do Senhor, são simples referências a este Salvador, Tamuz, ou Adônis, e à sua amada Ishtar, que teve diversos nomes como Ashtoreth, Vênus, Astarte e outros, segundo o idioma do país. Pois Tamuz, Adônis, o Deus da Luz, foi tomado pelos povos e o seu culto foi estabelecido como costume religioso. A história do nascimento, morte e ressurreição foi acolhida como símbolo da ressurreição da alma ou redenção da humanidade (como um todo)…
 
Em resumo: o sexo redime pela geração e a regeneração. Todos os salvadores do mundo são símbolos de Fogo-Luz divino no sexo, simbolizando primitivamente pelo Sol. Atrás disso tudo se encontra o Grande Mistério da Luz Divina e por seu intermédio a imortalização da alma, ou Regeneração do homem enquanto está com vida. Porque se isso não se obtém aqui e agora, não se pode consegui-lo quando a alma passar para o Além.

 

(Dr. Jorge Adoum, Do Sexo à Divindade)

 

 
 

A religião bramânica

Publicado 28/02/2012 por eduardfis

 

 

A RELIGIÃO BRAMÂNICA

 

A Índia teve dois cultos diferentes: a adoração a Deus em forma masculina, ou culto ao Sol, e a adoração em forma feminina, ou culto à Lua. O culto solar dava ao Deus do Universo um sexo varonil, com todas as tradições védicas: a ciência do Fogo Sagrado Criador, a oração, a noção esotérica do Deus Supremo, o respeito à mulher, o culto dos antepassados e a realeza eletiva e patriarcal.

O culto lunar atribuía à Divindade um sexo feminino, ou a Natureza, e, na maioria das vezes, uma Natureza cega, inconsciente em suas manifestações violentas e terríveis. Este culto praticava a idolatria, a magia negra; favorecia a poligamia, que foi a herança de judeus e maometanos e de algumas outras religiões. A luta dos filhos do Sol com os da Lua inspirou a Epopéia Hindu, que é denominada O Mahabharata. No começo triunfaram os filhos da Lua, durante muitos anos, e o espírito das trevas triunfou sobre o da Luz. Os filhos do Sol tiveram de se retirar para as selvas longínquas e muitos deles se fizeram eremitas. Reuniam-se em grupos e tribos e conservaram a interpretação secreta dos Vedas. Chegaram a desenvolver, de maneira surpreendente, o poder da vontade. A voz e o olhar do ermitão afastavam as serpentes e amansavam os tigres. Os reis começaram a temer aqueles iogues ou anacoretas porque, como diz o poeta, “sua maldição perseguia o culpado até a terceira geração”.

Do seio da irmandade dos anacoretas devia brotar a revolução do poder espiritual sobre o poder temporal, do anacoreta sobre o rei. E o Verbo Divino encarnou-se em um homem e este foi o primeiro Messias, o primogênito dos filhos de Deus, este foi o Krishna. (O Mahabharata e o Bhagavad-Gita representam a tradição popular e a tradição iniciática. Relatam o nascimento, a vida e a morte de Krishna, para os que queiram aprofundar o tema.)

O dia do nascimento do Sol na Índia é dia de regozijo. O povo troca presentes, adorna os lares e se felicita mutuamente. Os antigos persas celebravam esse dia como o do Senhor e Salvador Mitra. Os antigos egípcios festejavam o nascimento de seu Salvador Hórus, e, assim, em todas as partes do mundo, o 25 de dezembro era considerado como o dia mais feliz do ano, porque era o dia da esperança e do triunfo do Bem.

Krishna, o salvador hindu, foi concebido pelo Espírito Santo na Virgem Deváki. Nasceu em 25 de dezembro, numa gruta, mil anos antes de Jesus, o Nazareno. Seu advento foi precedido por uma estrela brilhante. Anjos e espíritos alegres apareceram nos céus e deram a Boa Nova aos maravilhados e atemorizados mortais. Grandes profetas e simples pastores vieram prostrar-se diante do Divino Menino. Então, o tirano Kansa ordenou a matança de todos os meninos nascidos em seu reino, por temor a este rei recém-nascido; o Salvador, porém, escapou.

Acompanhado de seus discípulos, viajava pelo país, pregando a paz e a salvação, curando os enfermos, os coxos, os surdos, os cegos, e ainda ressuscitando os mortos. Depois de muitas perseguições, por causa da traição de um dos seus discípulos, deu sua vida em divina expiação pelos pecados do mundo. Encontrou a morte na Cruz e o crucifixo se tornou seu emblema sagrado. (Outra lenda diz que morreu a flechadas.) Na hora da sua morte o Sol se obscureceu, caíram do céu fogo e cinzas e os mortos andaram novamente sobre a terra. Desceu à morada dos espíritos desencarnados e, ao terceiro dia, ressuscitou entre os mortos; ascendeu em corpo ao céu, de onde, de acordo com sua própria profecia, voltaria novamente no último dia do mundo, quando chegasse a hora. Por ocasião da sua vinda, o Sol e a Lua se obscurecerão, a terra tremerá e as estrelas cairão do firmamento. O quê? Se este relato não é o de Jesus Cristo, é o de Krishna, mil anos antes de Cristo.

As doutrinas deixadas por Krishna para os iniciados se acham no livro denominado O Bhagavad-Gita, que significa “o Canto do Senhor”. Krishna, depois de sete anos de ascetismo e meditação, sentiu que sua natureza divina dominava sua natureza terrena, e que estava identificado com o Sol de Mahadeva, para merecer o nome de Filho de Deus.

Chamou, então, os anacoretas velhos e jovens para revelar-lhes sua doutrina. Arjuna, um dos descendentes dos reis solares, estava cheio do Fogo e se fez o mais apaixonado discípulo de Krishna. O Mestre começou a revelar a seus discípulos as verdades inacessíveis aos homens que vivem na escravidão dos sentidos.

Esta doutrina se resume no seguinte:

“A alma é imortal, reencarna-se e está unida misticamente a Deus. O corpo é a morada temporária da alma. O corpo é finito, porém a alma que o habita é invisível, imponderável, incorruptível e eterna”.

“O homem terreno é triúno como a divindade de que ele é o reflexo, e se constitui de Inteligência, Alma e Corpo”.

“Se a alma se une à inteligência, alcançará a sabedoria e a paz; se vive indecisa entre a inteligência e a paixão do corpo, girará num circulo fatal; se, no entanto, se abandona totalmente ao corpo, cai na ignorância e na morte temporária: esta é a roda que cada homem pode observar dentro de si mesmo. A alma se acha infalivelmente sujeita à lei da reencarnação e nisso reside o mistério. Quando o corpo está dissolvido (dominado), a sabedoria domina e a alma voa às regiões dos seres puros, que têm contato com o Todo-Poderoso”.

“Para chegar à perfeição é mister conquistar a ciência da unidade, isto é, é preciso se elevar até o ser divino de onde procedeu a alma e que se acha dentro de cada um de nós. É o verdadeiro caminho da salvação”.

“Não é suficiente fazer o bem, é necessário se bom. O motivo da bondade deve estar no ato e não em seus frutos. É preciso renunciar aos frutos das obras, e cada um dos atos deve ser como uma oferenda ao Ser Supremo. Quem encontra em si mesmo a felicidade e a luz é uno com Deus e sua alma fica isenta da roda da encarnação inconsciente.”

“Faz-nos ver o Mahadeva”, disse Arjuna, e Krishna respondeu: “Se se ascendesse nos céus, ao mesmo tempo, o esplendor de mil sóis, apenas se assemelharia a um fragmento ou um raio do esplendor do Todo-Poderoso”.

A história de Sarasvati, irmã de Nichdali, é igual à de Maria Madalena e Marta. Sarasvati era uma pecadora e a irmã lhe disse: “Eu te perdôo, porém meu irmão não te perdoará nunca. Só Krishna pode salvar-te”.

O filho de Deus estava sentado à mesa de um festim na casa de um chefe, quando as duas mulheres pediram para ser apresentadas ao profeta. Deixaram-nas entrar devido aos seus trajes de penitentes. Saravasti correu e se ajoelhou aos pés de Krishna, lavando-os com uma torrente de lágrimas e dizendo: “Se tu quiseres, podes salvar-me”. Os rajás disseram: “Por que, santo richi, consentes que estas mulheres do povo te aborreçam com suas palavras insensatas?” Krishna lhes respondeu: “Deixai que abrandem seus corações. Ela são mais dignas do que vós. Porque esta tem fé e aquela tem amor. Saravasti! Perdoados estão teus pecados desde este momento porque creste em mim… É preciso que saibas que minha mãe radiosa, que vive no Sol de Mahadeva, te ensinará os mistérios do amor eterno”. Desde aquele dias as duas irmãs seguiram Krishna por toda parte.

A vida, paixão e morte de Jesus no Evangelho ou é um decalque sobre a vida e morte de Krishna ou uma repetição maravilhosa dos mesmos acontecimentos, com a diferença de lugares e nomes.

Krishna consagrou seu discípulo Arjuna como rei descendente de raça solar e concedeu autoridade aos sacerdotes para que fossem conselheiros dos reis como fez Jesus com Pedro…

No entanto, o mais surpreendente da doutrina de Krishna é o simbolismo das guerras entre os dois exércitos, que se encontravam frente a frente na nova povoação, construída por Krishna e seus anacoretas, chamada Dvaraka. Os reis do culto lunar (o Mal) contra os do culto solar (o Bem). Então, pergunta o Mestre com severidade ao seu discípulo e rei Arjuna: “Por que não deste início ao combate que deve fazer triunfar os filhos do Sol?” E Arjuna responde: “Não o podia fazer sem ti. Olha esses exércitos imensos de homens que se matarão entre si…! Que prazer poderei experimentar em matar meus inimigos? Mortos os maus, o pecado cairá sobre nós. Eu não combaterei”.

“Arjuna, teu corpo venceu tua alma. Tu choras aqueles que não devias chorar… Os homens instruídos nunca lamentam nem os vivos nem os mortos… Porquanto o que está em todas as coisas está por cima da destruição. Os corpos durarão pouco mais e a alma neles encarnada é eterna, indestrutível e infinita. A alma não mata nem morre. Nem a espada é capaz de cortá-la; nem o fogo nem a chama são capazes de queimá-la; nem a água nem a umidade, de molhá-la; nem o ar, de secá-la…” (Bhaghavad-Gita)

E assim, quando Krishna ficou certo do triunfo da alma sobre o exército da paixão maléfica, retirou-se à sua ermita para se preparar para o sacrifício.

Nenhum dos seus discípulos conseguiu penetrar em seus desígnios. Somente Sarasvati e sua irmã Nichdali puderam decifrar a intenção do Mestre, devido ao pode do amor que existe nas mulheres; Saravasti lhe disse: “Mestre, não nos deixes”, e Nichdali continuou: “Eu sei aonde vais, porém a nós que tanto te amamos deixa-nos seguir-te”. Krishna respondeu: “No meu céu não será recusado o amor. Vinde”.

Em outra ocasião, disse a seus discípulos: “É preciso que o filho de Mahadeva morra transpassado por uma seta para que o mundo creia em sua palavra”.

“Explica-nos esse mistério”.

“Vós o compreendereis depois da minha morte. Oremos”.

Durante sete dias o Mestre fez abluções e jejuns. Seu rosto se transfigurou e parecia um Sol radiante. Depois de sete dias chegaram os arqueiros do rei Kansa para prendê-lo. As duas mulheres o preveniram para que se defendesse e aquele divino ser, que afugentava os tigres e as serpentes com um simples olhar, ajoelhou-se junto a uma grande árvore de cedro e se entregou à sua oração. Ninguém pôde fazê-lo sair de sua meditação; então os arqueiros o amarraram contra a árvore e começaram a disparar suas flechas contra ele. Ao ver atingido pela primeira flecha, Krishna exclamou: “Vasishta (era o nome de seu Mestre, que lhe entregara o poder), os filhos do Sol são vitoriosos!”

Quando recebeu a segunda flecha, disse: “Que aqueles que me amam entrem comigo em Tua Luz”. Na terceira seta murmurou somente “Mahadeva”, e, depois, com o nome de Brahma em seus lábios, expirou.

Então o Sol se ocultou. Um furacão açoitou a terra; a neve de Himavat caiu sobre os vales e planícies. O céu se obscureceu e um torvelinho negro varreu as montanhas. Os assassinos, espantados, fugiram espavoridos. As duas mulheres, geladas de pavor, morreram com o Mestre, lançando-se na fogueia para juntar-se a Ele.

Desde aquele dia uma grande parte da Índia adotou o culto de Vishnu, que conciliava os cultos solares e lunares na religião de Brahma.

Muitos dos europeus crêem que o mito de Krishna é um conto de fadas, aplicado ao Mito Solar. Deixemos que esses cientistas se debatam em suas trevas e tratemos das grandezas que existem no budismo, filho da lenda de Krishna, segundo os nossos sábios ocidentais, apoiados por suas religiões… Pois bem, o budismo dominou, a despeito das invasões mongólicas, maometana e inglesa. E pela primeira vez a imortalidade da alma, a Trindade, o Verbo Divino, a Reencarnação, a Idéia de Deus, a Verdade, a Beleza e a Bondade Infinitas surgiram com Krishna. Krishna conquistou, com sua doutrina imortal, a Ásia e a Europa. Na Pérsia é Mitra, reconciliador do luminoso Ormazd com o sombrio Ahriman; no Egito é Hórus, filho de Osíris e Ísis; na Grécia é Apolo, o Deus do Sol e da lira. É Dionísio, o Deus Solar, o mediador. É a Luz Inefável, é o Messias. É o Fogo-Luz Criador.

 

(Dr. Jorge Adoum, Do Sexo à Divindade)

 

 
 

A religião budista

Publicado 26/02/2012 por eduardfis

 

 

A RELIGIÃO BUDISTA

 

Buddha (que significa “homem celeste”) é o nome de três reformadores, cuja recordação é venerada pelos indianos como divindades que dizem respeito a épocas baseadas nos astros ou constelações personificadas por meio de figuras hieroglíficas. Os indianos crêem que Buddha desceu à terra para ajudar o homem a conquistar a perfeição, fazendo com que ele pudesse depois formar com a humanidade uma só e completa unidade. Segundo a tradição, Buddha morreu na Cruz, e por isso os indianos santificam esse sinal de suplício. (Enquanto os iniciados o santificam porque o consideram símbolo da regeneração.) O primeiro Buddha deve ter existido 5500 anos antes de nossa era. O segundo, chamado Buddha-Chaucasam, viveu entre 3200 e 3100 antes da era cristã e foi o fundador da doutrina contida no Bahgout-Goutta. Este reformador é considerado a encarnação do Ser Supremo e, ao mesmo tempo, mediador e expiador dos crimes dos homens. O terceiro é o Buddha-Gonagom, que viveu pelo ano de 1366, reformador divinizado com a segunda encarnação da Divindade.

Buddha-Gautama – Profundo filósofo, autor do Gandsour, que contém suas doutrinas e preceitos, divinizado como quarta encarnação de Deus. Nasceu em 607 a.C. Segundo as tradições, Buddha desceu do céu ao Ventre de Malhamaya, filha ou irmã de Suddhodana. Ela o concebeu sem detrimento de sua virgindade, dando-o à luz ao cabo de dez meses, sem sentir nenhuma dor. Nasceu ao pé de uma árvore e não tocou o solo porque Brahma, que estava ali esperando seu advento ao mundo, o recebeu dentro de uma bandeja de ouro. Assistiram ao seu nascimento muitos deuses encarnados, e os manus e doutores pundistas lhe deram o nome Dereta-Dera, que significa “o Deus dos deuses”. Inquieto o rei Suddhodana pelo seu nascimento, resolveu fazê-lo morrer. Por isso decretou a degolação de todos os varões nascidos naquela época. Salvo pelos pastores, foi conduzido ao deserto, onde viveu até a idade de trinta anos. No entanto, existe outra lenda que diz que Buddha viveu sem perigo ao lado de sua real família. Estudou com incrível progresso e casou-se com uma princesa de sua estirpe, da qual teve um filho e uma filha. Por fim, possuído de um intenso amor pela humanidade e condoído dos males que afligiam seus semelhantes, desejoso de redimi-los e libertá-los de tais sofrimentos, um dia abandonou seu palácio, retirando-se para o deserto, onde começou sua missão divina de ensinar os homens a livrar-se do demônio da ignorância. Ali se ordenou sacerdote, raspou a cabeça, e, durante muitos anos, entregou-se a uma vida cheia de privações, em companhia de seus cinco discípulos prediletos.

Uma vez alcançada a transfiguração por aquela austeridade, trocou o seu nome pelo de Gautama e começou a pregar sua sagrada doutrina, ensinando a lei aos homens. Depois de realizar os mais surpreendentes milagres, venceu os falsos doutores, não só pela sua ciência como por sua força, e obrigou-os a submeter-se e prestar-lhe homenagem. Sua doutrina foi a continuação e o cumprimento da doutrina de Krishna, que foi prevalecendo até se tornar triunfante em todo o Industão. Ao morrer, deixou aos seus discípulos o “Evangelho” que continha sua doutrina.

Dele tomemos o que se segue:

“O que abandona seu pai e sua mãe para seguir-me será um perfeito homem celeste”.

“O que pratica meus ensinamentos até o quarto grau de perfeição adquire a faculdade de voar pelos ares, de fazer mover o céu e a terra e de prolongar ou diminuir a vida”.

“O homem celeste despreza a riqueza e só usa o mais estritamente necessário; mortifica seu corpo, vence suas paixões, não deseja nem tem apego por nada, medita sem cessar em minha doutrina; sofre com paciência as injúrias e nunca sente a menor aversão pelo próximo”.

“A terra e o céu perecerão; desprezai vosso corpo composto de quatro elementos perecíveis e não cuideis senão de vossa alma, que é imortal”.

“Não escuteis os instintos da carne; as paixões produzem o temor e o desgosto; afogai-as e as destruireis.”

“Todo aquele que morrer sem haver abraçado a minha religião voltará a viver entre os homens até que lhe venha a compreensão.”

“Amai todo ser vivente.”

Seus dogmas foram a imortalidade da alma, as penas e recompensas futuras, a reencarnação, a Unidade de Deus, a trindade de sua natureza e atributos, a encarnação do Ser Supremo e a redenção dos pecados da humanidade. O budismo é uma das maiores religiões do mundo atual. Seus templos enchem a Índia, a China, a Tartária e muitos outros pontos. Buddha é representado em várias formas, porém a mais conhecida é a do ato de meditação, nu, de corpo negro e com os cabelos curtos e frisados, que, na realidade, não são cabelos, pois ele havia raspado a cabeça, mas representam o simbolismo do desenvolvimento do centro magnético (chakra) de mil pétalas…

O ensino esotérico do budismo consiste no desenvolvimento ou despertar da Kundalini ou a Serpente do fogo, dentro de cada ser, por meio da castidade; por isso recomenda não dar ouvidos aos instintos da carne. A auréola em volta da cabeça de Buddha, que à primeira vista parece cabelo curto e frisado, é o efeito da transmutação da energia criadora do fogo em luz ou chama sagrada, que envolve a cabeça de todos os santos que chegaram a transmutar o metal inferior em superior, segundo a expressão dos alquimistas.

A idéia de que Deus é a Verdade, a Beleza e a Bondade infinitas se revela no homem consciente com um poder redentor, que se eleva até o céu pela força do amor e do sacrifício. Essa idéia fecunda entre todas as religiões surgiu pela primeira vez com Krishna, que revelou a idéia do Verbo Divino feito carne e continuou encarnando-se em todas as demais religiões, até mesmo nas mais recentes de nossa época. Por isso vemos a mesma idéia na Pérsia, reencarnada em Mitra; no Egito, em Hórus; na Grécia, em Apolo; na Índia pelos Buddhas, etc. E todos esses reformadores ou encarnações da divindade são o símbolo da Fogo Divino que desceu sobre os homens.

 

(Dr. Jorge Adoum, Do Sexo à Divindade)

 

 
 

A doutrina bíblica

Publicado 25/02/2012 por eduardfis

 

 

A DOUTRINA BÍBLICA

 

Todo fundador de religião tem duas personalidades: uma mística e outra histórica. Por isso, vemos que ao redor de cada fundador ou reformador sempre é tecida uma roupagem fabulosa, através da qual brilham os pontos luminosos da verdade. Todos nascem de uma virgem e, conforme foi explicado, desse modo cada Salvador deve imitar em sua vida os princípios da lei cósmica. O Sol como pai, a Terra como mãe, e a vida, que brota pela união do pai com a virgem Mãe, é o Verbo Filho feito carne e que habita em nós para nos salvar.

A narração bíblica faz de Moisés um judeu da tribo de Levi. Plagiando a mesma história de Asserhadun, que foi recolhido da água pela filha de um rei, anotaram que Moisés foi recolhido pela filha de um faraó quando esta tomava banho no Nilo. Tais absurdos não podem mais ser aceitos pela lúcida razão, pois não é possível banhar-se no Nilo porque ele é infestado de crocodilos e, além do mais, a corte do faraó se achava a mais de trezentos quilômetros da margem do rio. Manethon, o sacerdote egípcio, a quem devemos as informações mais exatas sobre as dinastias dos faraós, afirma que Moisés foi um sacerdote de Osíris. Estrabão, que possuía as mesmas informações dos sacerdotes egípcios, afirma igualmente o que acabamos de dizer. Portanto, a fonte egípcia sobre Moisés tem aqui mais valor do que a fonte judaica, a qual, por uma questão de nacionalismo, quis que o fundador de sua nação fosse um homem de seu próprio sangue. Moisés foi iniciado no Ciência Egípcia. A Bíblia afirma que Moisés foi educado no palácio do faraó e que foi enviado por seu governo como inspetor de judeus.

O sacerdote de Osíris sentiu uma secreta simpatia por aqueles seres “de cerviz dura”, cujos anciãos ensinavam a adoração de um Deus único, e que se rebelavam no trabalho e protestavam contra seus governantes porque se diziam ser o povo escolhido por Deus. Um dia Moisés viu um soldado egípcio maltratar um judeu indefeso; seu coração se indignou e Moisés matou o soldado no mesmo momento, tendo este ato mudado o rumo de sua vida.

O sacerdote assassino foi julgado pelo colégio sacerdotal e, sentido que o perigo se aproximava, fugiu para o deserto, a fim de expiar o seu crime. Chegou a Madian, na Arábia, onde havia um templo para a adoração do Deus único, chamado Elohim. Este santuário, de origem babilônica, servia de centro religioso aos árabes que haviam fugido da perseguição dos novos conquistadores da Babilônia. Esse templo se achava em Sinai e nele Moisés se refugiou.

Jetro era o grande sacerdote (Raguel, que significa “vigia de Deus”) e era um homem sábio: em sua memória e nas bibliotecas de pedras de seu templo se achavam acumulados tesouros de ciência. Ele era o protetor dos homens do deserto, sendo uma espécie de pai espiritual para aqueles seres errantes e livres. Moisés foi a ele e lhe pediu asilo em nome de Elohim-Osíris. Depois, passou alguns anos cuidando dos rebanhos do grande sacerdote e casou com uma de suas sete filhas. Esta é a história profana de um homem que se chama Moisés pela Bíblia, o qual, graças às traduções etiópicas e caldaicas que encontrou no templo, pôde completar o que havia aprendido nos santuários no Egito. Na casa de seu sogro Jetro, encontrou dois livros de cosmogonia: As guerras de Jeová e As gerações de Adão, a cujo estudo se dedicou. E, querendo imitar os que o precederam, como Rama, Krishna, Hermes, Zoroastro, Fo-Hi, começou a estruturar uma religião, que foi o seu Sepher Bereshit, ou O livro dos princípios, síntese concentrada da ciência passada e quadro fundamental da ciência futura.

Muitos sábios modernos afirmam que o Gênesis não é obra de Moisés (e tem razão) pois, segundo as descobertas modernas em vários lugares do globo, ficou provado que o Gênesis foi escrito milhares de anos antes de Moisés. Outros negam sua existência e dizem que não passa de um ser lendário, criado quatro ou cinco séculos mais tarde pelo sacerdócio judaico, para dar uma origem divina à sua religião. A crítica moderna demonstrou claramente que o Sepher foi escrito pelo menos quatrocentos anos depois da morte de Moisés. Na realidade, o Pentateuco nos dá uma narração lendária da vida de Moisés, mas isso não significa que Moisés histórico não tenha existido; assim como, se as tradições elohista e javehista foram escritas quatrocentos anos depois do Êxodo, não se compreende que tenham sido os inventores do Gênesis e sim que se tenham guiado por um documento anterior, mal compreendido.

O Gênesis perdeu a sua chave e ficou até hoje como um documento precioso que espera o ser iniciado para decifrar seus mistérios e descobrir seus tesouros.

Os sacerdotes egípcios tinham três maneiras de exprimir seus pensamentos: “a primeira era clara e simples, a segunda simbólica e figurada, e a terceira sagrada e hieroglífica”. A mesma palavra tinha para eles o sentido próprio, o sentido figurado e o transcendente. Pois bem, o Sepher de Moisés está escrito nesta língua transcendental, sendo impossível compreender-se os dois últimos significados sem chave, apesar do que dizem os teólogos das seitas derivadas do judaísmo e do cristianismo (ver as obras do Dr. Jorge Adoum: El pueblo de las mil y una noches e Génesis reconstituído). Moisés escreveu o Gênesis em linguagem hieroglífica, com três significados, e confiou verbalmente as chaves e as explicações a seus sucessores; entretanto, quando mais tarde, no templo de Salomão, traduziam o Gênesis em caracteres fenícios e, ainda, depois do cativeiro da Babilônia, quando foi escrito em caracteres aramaicos caldeus, o sacerdote hebreu já não manejava mais aquelas chaves. O único homem que restaurou a cosmogenia de Moisés é um gênio hoje em dia quase esquecido e se chama Fabre D’Olivet, que escreveu La langue hébraique restituée e, desse modo, pôde restaurar alguns capítulos do Gênesis. (Ver Génesis reconstituído, do Dr. Jorge Adoum)

Analisando, embora superficialmente, a religião deixada por Moisés, vemos que se trata de um cópia exata da de Hermes, sobre Osíris e Ísis. Segundo a ciência hermética, Ísis tem três sentidos diferentes: no sentido próprio, é a mulher ou o gênero feminino universal; no sentido comparativo, personifica a natureza terrestre com todas as suas potências conceptivas; no sentido superlativo, é a natureza celeste invisível, ou o elemento das almas e dos espíritos, a luz espiritual e inteligível por si mesma, que se confere ao iniciado.

O símbolo que corresponde a Ísis no texto do Gênesis e na intelectualidade judeu-cristã é Eva (Haua), a mulher eterna. Esta Eva não é somente mulher de Adão, mas é também a esposa de Deus. Ela constitui as três quartas partes de sua essência, porque o nome do Eterno Ieva, do qual impropriamente fazemos Jehovah ou Jeveh, compõe-se do prefixo IOD e do nome EVA.

Aqui descobrimos o mistério do sexo na base da religião judeu-cristã. O grande sacerdote de Jerusalém pronunciava uma vez por ano o nome divino, vocalizando-o letra por letra da maneira seguinte: YOD-HÉ-UAU-HÉ. A primeira letra exprime a idéia divina, a ciência teogônica (Natura naturante, segundo Spinoza); as três letras do nome de Eva, as três ordens da Natureza (a Natura-naturata, de Spinoza). O inefável encerra em seu seio profundo o Eterno Masculino e o Eterno Feminino. De sua união indissolúvel resulta o seu poder eterno e misterioso. A letra YOD equivale ao número 10; é o número da A-D-Ã-O: 1+4+4+4 = Total 10, representado pela letra I ou YOD, que significa o falo em ereção. Eva, também chamada Aisha, ou seja, mãe da vida, unida ao YOD (falo) forma Ieva, o nome misterioso: o masculino unido ao feminino. Deus à Natureza. Osíris a Ísis. O homem à mulher, para criar o Verbo. Por conseguinte, tudo isso demonstra a religião do sexo divino, o mistério do fogo, que é a causa de toda vida. E, assim, a mulher se converte em esposa de Deus, mãe de Deus e filha de Deus.

A serpente do Gênesis chamada Nahash significa “a vida universal quando está em círculo”. A luz astral é o agente mágico dessa vida universal. Tem também outro sentido, mais profundo: Nahash é a força que põe esta vida em movimento, a atração do corpo para outro corpo. Os gregos a chamavam Eros, isto é, Amor ou Desejo.

Desse modo, o pecado original se transforma na vasta espiral da natureza divina, universal, com seus reinos, seus gêneros e suas espécies, no círculo formidável e inevitável da vida. Logo, a queda simbólica era uma lei necessária para a evolução infinita do Universo… Deste dois exemplos do Gênesis vemos que o significado oculto era cosmogênico para o iniciado, enquanto para o profano não é mais do que uma descrição da vida de um homem e de uma mulher. O Sepher de Moisés não é uma história profana, mas sim a história da evolução da alma, que dá sua explicação em seu aspecto interior. A ciência antiga nunca desconheceu que tudo é vida, tudo é dotado de uma inteligência, de uma alma e de uma vontade. Assim como no corpo humano os movimentos são traduzidos pela alma invisível e invencível, também no Universo todos os movimentos não são mais do que a repercussão de uma ordem invisível.

Elohim significa “Deus dos deuses” ou “Ele-Eles”, porque a palavra “El” sempre designou Deus, como em Babel, “casa de Deus” ou “porta de Deus”. Que se faça a luz e a luz foi feita. O original dez Roua Elohim Auor e significa “soprou Elohim luz” ou, em outras palavras, do sopro de Ele-eles, a luz da manifestação se fez. A palavra “sopro” corresponde a Roua ou espírito que ali vem espirar, respirar, expirar, aspirar, etc. Ora muito bem, se invertermos a palavra Roua, que significa Espírito, teremos Auor (Luz). O sopro divino voltando-se sobre si mesmo cria a luz inteligível. (Aqui começa o mistério da respiração…)

Até aqui temos falado de Moisés segundo a história e agora vamos tratar de Moisés segundo a lenda. A primeira lenda é a sarça de Horeb e sua conversação com Deus, que quer retirar do Egito o seu povo escolhido. “Deus não foi visto por ninguém”, diz Jesus. Logo, se Deus é o Criador de todos os povos, Ele não tem o direito de escolher um povo como seu e abandonar os outros. Aqui se vê a intenção do outro autor do Gênesis de atribuir à sua raça a amizade de Deus. No entanto, se despirmos a lenda de sua roupagem fantástica, brilhará a luz eterna que se habita em cada ser. A segunda lenda é a que relata as pragas do Egito. E, em seguida, o Êxodo, a divisão da água do Mar Vermelho e a morte do faraó e seu exército, afogados no mar. Desse modo vemos muitas maravilhas praticadas por Moisés, imitando os deuses antigos. O povo de Israel nunca chegou a crer definitivamente num só Deus, apesar do monoteísmo que Moisés quis implantar em seus corações. Também sacrificavam seres humanos a seus deuses. Moisés e seu irmão Aarão trataram de eliminar do coração duro daquele povo todos os ressaibos antigos. Subiu à montanha do Sinai e trouxe as duas pedras da lei gravadas pelo dedo do próprio Deus; porém, ao ver que o povo estava adorando o bezerro de ouro, quebrou as duas pedras e castigou os culpados.

Essas tábuas de pedra gravada pelo dedo de Deus têm dado oportunidade a muitas críticas, pois o Ser Supremo é apresentado como um homem que fala, que vê, que vai e vem e que por fim escreve sobre pedras certos mandamentos copiados dos brâmanes, da antiga Shastra, do imperador chinês Cam-Hi, do monólogo de Confúcio, dos antigos mistérios do Egito, etc. O antigo Baco escreveu suas leis sobre mármore. Também Baco andou sobre as águas do Mar Vermelho para ir às Índias com o seu exército. Baco também expelia raios como Moisés, para dar testemunho de seu contínuo comércio com os deuses.

Pede, então, Moisés a Deus: “Deixa-me ver a tua glória”, e Deus lhe diz: “…Não poderás ver meu rosto, pois nenhum mortal pode vê-lo sem morrer… Verás minhas costas, mas não minha face…” Todas essas fábulas pertencem ao Moisés do mito. Sêmele morreu por ter visto a Zeus em toda sua glória… E assim se encontram na Bíblia muitas fábulas e lendas atribuídas a Moisés, para dar-lhe maior glória e testemunhar o que dizem alguns versículos anteriores: “O Senhor falava com Moisés frente a frente, como um homem fala com seu amigo…” Pois bem, todos esses sucessos extraordinários são cópias de fábulas antigas atribuídas a deuses pagãos e nas quais Moisés não teve nenhuma participação como um ser histórico…

A religião judaica é, como já dissemos anteriormente, uma religião sexual ou religião do fogo. Até mesmo o nome de Deus na Bíblia é Ieva, o que quer dizer macho-fêmea, masculino-feminino, como já foi explicado. Soprou Elohim luz. O fogo divino, voltando-se sobre si mesmo, cria a luz inteligível. Até mesmo a palavra Gênesis vem de “geração”, “genésico”.

Sempre a aparição de Deus ao homem se produzia em glória e esplendor, tomando as formas de fogo e de luz. No Êxodo 19:16 a 22 relata: “… e todo o monte de Sinai fumegava, porque o Senhor descera sobre ele em fogo: e seu fumo subiu como fumo dum forno, e todo o monte tremia grandemente”.

No Deuteronômio 4:11,12: “E vós vos chegastes, e vos pusestes ao pé do monte: e o monte ardia em fogo até ao meio dos céus e havia trevas, e nuvens e escuridão; então o Senhor vos falou do meio do fogo…”

No Êxodo 3:2 a 5: “E apareceu-lhe o anjo do Senhor em uma chama de fogo do meio duma sarça; e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia…”

E assim em vários pontos da Bíblia, como no Levítico 9:24; em Juízes 6:21; em 2.Crônicas 7:1; em 1.Reis 18:36 a 40; etc.

A deidade mora nos mundo luminosos e a única lâmpada que os ilumina é a lâmpada do Supremo Amor. Só o amor é poder. O amor é o atributo exclusivo do coração. O poder não vem da alma, mas sim através do fogo do amor; não do desejo, mas do amor, que é fogo vital, oposto ao fogo da paixão do homem inferior. Deus mora dentro do fogo, atrás da chama serpentina. Todas as manifestações da alma são formas de fogo. O mundo da alma é do fogo puro, polarizado dentro do corpo humano, e seu sopro negativo tem sua residência no cérebro. O outro pólo da alma está situado no sistema genital – o cérebro pélvico.

A chama cósmica é a base do fogo cósmico, é a base do fogo do Universo, que tem o poder sobre o crescimento, emoção, beleza, poder, calor, energia e fogo básico de toda existência. O fogo do sexo é a manifestação direta do Onipotente. Os pensamentos mais altos, mais puros e mais doces são uma manifestação das forças sexuais, que são o princípio e o fim da manifestação suprema e divina no homem. “Neste templo do fogo é onde El que foi se transforma em El é, e El é se transforma em El será”. O amor, o sexo, e o fogo são tri-unidade.

Quando se intensifica no homem o poder mágico generativo, forma-se um círculo de luz deslumbrante ao redor de sua cabeça: é a transfiguração.

As coroas, os diademas e toda insígnia de dignidade são imitações deste círculo luminoso que circunda a cabeça do homem santo.

O iniciado tem dois batismos: o da água e o do fogo. O batismo do fogo é do Espírito Santo. Logo, ao falar do fogo, refere-se ao fogo espiritual e não ao material. Eu vos batizo com água, mas já está vindo alguém que é mais poderoso que eu. Não sou digno de desamarrar-lhe as correias das sandálias. Ele é quem vos batizará com o Espírito Santo (com o Fogo Divino).

 

(Dr. Jorge Adoum, Do Sexo à Divindade)

 

 
 

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